Menina quente na praia

Quadro -Menina na praia-. Temática: pinturas de retratos. O trabalho de artista: Sorolla, Joaquin. Cores predominantes deste trabalho: Azuis .Referência do produto: AT_G0SORO064. Tanto pode comprar quadros ou reproduções deste trabalho, como personalizar as definições, escolhendo o tamanho, papel ou tela em arte, o tipo de instalação e ... Faça download desta Duas meninas sensuais em tangas na praia tomando banho de sol . fotografia de stock 289410320, royalty-free, da colecção Depositphotos de milhões de fotografias, imagens vetoriais e ilustrações de stock premium de alta resolução. 9/ago/2020 - Explore a pasta 'Fotos de menina na praia' de Maria Eduarda no Pinterest. Veja mais ideias sobre Fotos de menina na praia, Fotos, Fotos de verão. Baixe estas Foto premium sobre Menina adorável em dia de verão quente e ensolarado na cidade de positano, na itália, e descubra mais de 4 Milhão de fotos de arquivo profissionais no Freepik Baixe estes Vetor premium sobre A menina e o indivíduo quentes na praia tomam sol na estação de verão., e descubra mais de 8 Milhões de recursos gráficos profissionais no Freepik Compras on-line uma variedade de melhor copos menina quente de copos menina quente distribuidores atacadistas profissionais dos preços a granel Menina nova e bonita na água Modelo de fôrma que levanta consideravelmente pelo biquini vestindo dos desenhistas da piscina Menina bonita no biquini em uma praia Menina bonita no biquini em uma praia Menina quente na praia Menina quente na praia Natal Menina triguenha bonita de Santa Mulher de sorriso em d vermelho Ilha sightseeing de Sveti Stefan do turista bonito em Budva, Mont Destino ... Download Gratis Menina com o telefone na mão e discription quente. Mulher com smartphone. Propaganda digital. Algumas notícias ou conceito venda. Uau, emoção omg. Ilustração cômica dos desenhos animados no estilo retro pop art. vetor. Encontrar mais de um milhão de vetores gratuitos, gráficos de illustrator, imagens vetoriais, modelos de design e ilustrações criadas por designers do ... Foto sobre Menina loura que tanning no verão da praia. Imagem de menina, forma, blond - 25890240 Baixe fotos Duas meninas sensuais em tangas na praia tomando banho de sol . de 119442408 sem royalties da coleção do Depositphotos de milhões de fotos, imagens vetoriais e ilustrações premium de alta resolução.

Atração por meninas?

2020.09.26 01:42 Maeve555 Atração por meninas?

Gente, estou desesperada por uma coisa q acontece a 2 meses, eu conheci uma garota lésbica, e desde desse dia eu passei a visitar o perfil dela no insta, pra ver as fotos, mas quando eu ia fazer isso, eu sentia um frio na barriga e meu coração acelerado e eu não gostava de sentir isso. Depois de uns dias passei a mandar msg quase todos os dias pra ela só que ela não me dava bola, até ai tudo bem, só que o meu cérebro sentia uma vontade incontrolável de mandar mensagem pra ela e eu não entendia o pq q a minha mente sentia essa vontade imensa de mandar msg pra ela. Um dia eu pensei q poderia ser essas coisas que sentia por ela, pensei q poderia ser inveja dela (pq ela desenha muito) ou rivalidade feminina, só que depois percebi que não era pq eu não queria o mal dela, mas descartando isso pensei que eu estava Obcecada por ela pq todos os storys que ela postava eu via todos e com o coração acelerado e frio na barriga, cheguei a ficar stalkeando a mãe dela e o perfil dessa menina só pra ver fotos dela, e sempre eu via uma foto dela eu pensava "mano que garota mais linda" Meu corpo ficava quente só de ver as fotos dela, ou quando ela postava um vídeo falando eu pensava " Que voz lindaaaa", ou quando eu conversei com ela e ela finalmente me respondeu, tivemos uma conversa longa e teve um momento q ela me chamou de fofa e meu coração explodiu de felicidade e eu só pensava naquela conversa que tivemos, eu fiquei toda vermelha quando ela me chamou de fofa. A todo momento eu pensava nela, no que ela estava fazendo, ou que queria poder abraçar ela, tocar a pele dela, escutar aquela voz... Eu pensava nela praticamente em todos os lugares. Eu decidi me vestir igual a ela, pensar igual a ela, até tentar desenhar igual a ela, Tudo isso já estava me enlouquecendo e eu queria uma resposta pra tudo aquilo que estava acontecendo com a minha mente quando eu via ela, eu até fiz planos de fazer festa de aniversário só pra poder convidar ela, poder abraçar ela e conversar cm ela. Eu tentava ser a mais perfeita o possível pra ela me notar ou pra poder impressionar ela, as vzs que ela falava que era lésbica, a minha mente pensava "Huuum lésbica né? Vou tentar fazer se apaixonar por mim" "Então me beija sua sapatão" Mas outra parte da minha mente tbm pensava " Não posso pensar essas coisas", e também teve uma vez q meu tio levou ela e meus primos pra praia, ele mostrou as fotos que ele tirou lá com eles, e quando eu vi ela na foto meu coração novamente acelerava, e eu só conseguia ver ela e mais ninguém, e nesse mesmo dia eu sonhei que estava dando um selinho nela e nesse sonho os meus sentimentos por ela estavam bem mais intensos, mas quando acordei eu me reprimi pq eu sempre fui a "heterozona" Pq eu sempre gostei de garotos, sempre beijei garotos , sempre pensei em garotos, pq isso agora?
Depois de todo esse relato, o que vocês acham? Isso foi uma atração ou q eu sou uma maluca invejosa?
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2020.09.26 01:25 Maeve555 Atração por meninas?

Gente, estou desesperada por uma coisa q acontece a 2 meses, eu conheci uma garota lésbica, e desde desse dia eu passei a visitar o perfil dela no insta, pra ver as fotos, mas quando eu ia fazer isso, eu sentia um frio na barriga e meu coração acelerado e eu não gostava de sentir isso. Depois de uns dias passei a mandar msg quase todos os dias pra ela só que ela não me dava bola, até ai tudo bem, só que o meu cérebro sentia uma vontade incontrolável de mandar mensagem pra ela e eu não entendia o pq q a minha mente sentia essa vontade imensa de mandar msg pra ela. Um dia eu pensei q poderia ser essas coisas que sentia por ela, pensei q poderia ser inveja dela (pq ela desenha muito) ou rivalidade feminina, só que depois percebi que não era pq eu não queria o mal dela, mas descartando isso pensei que eu estava Obcecada por ela pq todos os storys que ela postava eu via todos e com o coração acelerado e frio na barriga, cheguei a ficar stalkeando a mãe dela e o perfil dessa menina só pra ver fotos dela, e sempre eu via uma foto dela eu pensava "mano que garota mais linda" Meu corpo ficava quente só de ver as fotos dela, ou quando ela postava um vídeo falando eu pensava " Que voz lindaaaa", ou quando eu conversei com ela e ela finalmente me respondeu, tivemos uma conversa longa e teve um momento q ela me chamou de fofa e meu coração explodiu de felicidade e eu só pensava naquela conversa que tivemos, eu fiquei toda vermelha quando ela me chamou de fofa. A todo momento eu pensava nela, no que ela estava fazendo, ou que queria poder abraçar ela, tocar a pele dela, escutar aquela voz... Eu pensava nela praticamente em todos os lugares. Eu decidi me vestir igual a ela, pensar igual a ela, até tentar desenhar igual a ela, Tudo isso já estava me enlouquecendo e eu queria uma resposta pra tudo aquilo que estava acontecendo com a minha mente quando eu via ela, eu até fiz planos de fazer festa de aniversário só pra poder convidar ela, poder abraçar ela e conversar cm ela. Eu tentava ser a mais perfeita o possível pra ela me notar ou pra poder impressionar ela, as vzs que ela falava que era lésbica, a minha mente pensava "Huuum lésbica né? Vou tentar fazer se apaixonar por mim" "Então me beija sua sapatão" Mas outra parte da minha mente tbm pensava " Não posso pensar essas coisas", e também teve uma vez q meu tio levou ela e meus primos pra praia, ele mostrou as fotos que ele tirou lá com eles, e quando eu vi ela na foto meu coração novamente acelerava, e eu só conseguia ver ela e mais ninguém, e nesse mesmo dia eu sonhei que estava dando um selinho nela e nesse sonho os meus sentimentos por ela estavam bem mais intensos, mas quando acordei eu me reprimi pq eu sempre fui a "heterozona" Pq eu sempre gostei de garotos, sempre beijei garotos , sempre pensei em garotos, pq isso agora?
Depois de todo esse relato, o que vocês acham? Isso foi uma atração ou q eu sou uma maluca invejosa?
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2020.09.24 22:35 MyRealNamexd jornalzinho do dia resumidaço

📰 NEWS, Ano 2, Nº 585 🗞
🗺 Notícias do Brasil e do Mundo
🗓 Quinta-Feira, 24 de setembro de 2020
⏳ 268º dia do ano
🌖 Lua Crescente 49% de visibilidade

💭 Frase do dia: Lute com determinação, abrace a vida com paixão, perca com classe e vença com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante. - Augusto Branco

✅ Hoje é dia...
• da Conscientização Para a Eliminação das Armas Nucleares
• Marítimo
• do Mototaxista
• da Fundação da Honda

😇 Santos do dia:
• Nossa Senhora das Marcês
• São Gerardo Sagredo

🎂 Municípios aniversariantes:
Fonte: IBGE
• Cachoeira Alta-GO
• Catanhede-MA
• Coreaú-CE
• Mar de Espanha-MG
• Paraibano-MA
• Santa Mercedes-SP
• São Domingos do Maranhão-MA
• São José de Piranhas-PB
• São José de Ribamar-MA
• Tramandaí-RS
• Urupês-SP

🇧🇷 BRASIL GERAL 🇧🇷
😷 Brasil acumula 4,6 milhões de casos e 138,9 mil mortes por covid-19; Ainda de acordo com a atualização, 493.022 pessoas estão em acompanhamento e outras 3.992.886 já se recuperaram. As autoridades de saúde ainda investigam 2.422 mortes.
✍ Ministro da Economia diz que reforma deve ter tributos alternativos.
✍ Governo lança edital de projeto para reduzir letalidade infanto-juvenil.
✍ Governo e líderes decidem apoiar derrubada de veto à desoneração da folha de empresas.
✍ Governo recorre de decisão que suspende convocação de peritos do INSS.
✍ Presidente Bolsonaro dará palestra para cadetes nesta quinta no Rio.
✒ Eduardo e Flávio Bolsonaro visitam aldeia em Manaus-AM.
✒ Líder diz que base de Bolsonaro no Congresso vai construir alternativa para o Renda Brasil.
✒ Não há 'ambiente político' para discutir nova CPMF, diz presidente da comissão da reforma tributária.
✒ Senado aprova três indicados de Bolsonaro para cargo de ministro do Superior Tribunal Militar.
✒ Alcolumbre diz ver 'sentimento grande' pela derrubada do veto à desoneração da folha.
✒ Senadores da Comissão do Pantanal aprovam cronograma de trabalho.
✒ Câmara instala comissão para reformar Lei da Lavagem de Dinheiro.
⚖ Gilmar Mendes suspende ação contra Alexandre Baldy.
⚖ STF mantém contribuição sobre a folha de pagamentos para o Sebrae.
⚖ TRT propõe aplicação de layoff e reversão de demissões na Embraer.
⚖ Defesa de Flordelis pede ao STF que suspenda ordem sobre uso de tornozeleira eletrônica.
⚖ MP denuncia Alexandre Frota por falsidade ideológica em alteração societária de empresa de publicidade em São Paulo.
⚖ TCU aprova auditoria para apurar falhas na fabricação e distribuição de soro antiofídico.
⚖ Defesa de Witzel volta a pedir suspensão de processo de impeachment ao STF.
⚖ Marco Aurélio envia a plenário virtual recurso de Bolsonaro para prestar depoimento por escrito.
⚖ PDT pede ao Supremo que mande Bolsonaro explicar falas na ONU sobre Amazônia e Pantanal.
⚖ MPF pede que Justiça Federal no DF decida sobre pedido de afastamento do ministro Ricardo Salles.
⚖ STF decide se Brasil pode julgar Alemanha por barco afundado por nazistas.
⚖ Volkswagen faz acordo com MPF para reparar violações dos direitos humanos durante a ditadura.
⚖ Nova fase da Lava Jato investiga se fornecedora da Petrobras pagou US$ 40 milhões em propina por contrato de US$ 2,7 bilhões.
⚖ Operação da PF apura desvios no SUS de mais de R$ 2 milhões.
⚖ PF cumpre mandados na 75ª fase da Operação Lava Jato.
📌 INSS vai aumentar capacidade de atendimento da Central 135.
📌 Enem: estudantes têm até 1º de outubro para inserir foto no cadastro.
📌 Refugiados venezuelanos podem contribuir para desenvolvimento do país.
📌 Bombeiros da Força Nacional vão combater incêndios em Mato Grosso.
📌 Promoção em massa leva 606 procuradores da AGU ao topo da carreira com salário de R$ 27 mil.
🍀 Loteria: Mega-Sena, concurso 2.302: ninguém acerta as seis dezenas e prêmio acumula em R$ 50 milhões; As dezenas sorteadas: 18 - 22 - 25 - 27 - 43 - 44.

🇧🇷 BRASIL REGIONAIS 🇧🇷
🔖 Polícia do Rio faz operação contra quadrilha que frauda bilhete único.
🔖 Alerj aprova admissão de impeachment de Witzel por unanimidade.
🔖 Câmara rejeita pedido de cassação do prefeito de Cubatão-SP.
🔖 Parque Estadual do Ibitipoca-MG reabre para visitação no dia 30 de setembro.
🔖 Fernando de Noronha vai reabrir turismo a partir de 10 de outubro.
🚒 Carretas se chocam e derramam etanol e nitrogênio na rodovia Anchieta em Cubatão-SP.
🚒 Homem cai de laje e é resgatado pelo Águia em Campos do Jordão-SP.
🚒 Carreta tomba e derrama 26 mil litros de combustível na BR-406 em Gonçalo do Amarante-RN.
🚓 Pastor é preso após abusar de menina de 13 anos em Brasília.
🚓 Polícia Federal apreende quase 750 kg de cocaína que seriam levados ao Porto de Santos-SP.
🚓 Elias Maluco morreu por asfixia mecânica, diz atestado de óbito.
🚓 Suspeito de homicídio no Ceará é preso em Santos-SP após postar foto nas redes sociais.
🚓 Pastor é preso após quatro acusações de abuso sexual contra jovens de igreja em Peruíbe-SP.
🚓 Mulher internada para fazer cirurgia some de hospital e é achada morta no Rio de Janeiro.
🐾 Onça-pintada ferida em incêndios no Pantanal é tratada com células-tronco e se recupera.
🐾 Duas aves ameaçadas de extinção são vistas em área de represa entre os municípios de Fronteira-MG e Icém-SP.
☔ Chuva no Rio de Janeiro em um dia supera média do mês.
☀ Setembro termina quente e outubro começa um forno no Brasil.

🗳 ELEIÇÕES 2020 📩
🔰 Ministro Barroso pede que partidos façam campanha contra notícias falsas.
🔰 Capitais têm mais de 24 mil candidatos a vereador aprovados em convenções; nº de registrados deve ser recorde.
🔰 Em reunião, presidentes de partidos criticam cota para negros já em 2020.
🔰 Mesmo com recorde de candidatos a vereador, percentual de mulheres concorrendo não aumenta nas capitais e segue próximo do obrigatório por lei.
🔰 Partido Novo suspende Filipe Sabará e determina interrupção de sua pré-campanha à Prefeitura de SP.
📊 Pesquisa Datafolha: Russomanno lidera disputa para prefeito de SP com 29%, e Covas tem 20%.

🌎 INTERNACIONAL 🌍
🇫🇷 Torre Eiffel é esvaziada em Paris; Não há confirmação se o esvaziamento ocorreu após uma ameaça de bomba, como informaram alguns veículos de comunicação.
🇨🇳 China promete "neutralidade carbônica" até 2060.
🇫🇷 França tem mais de 10 mil novos casos de covid-19 em um dia.
🇺🇸 Celebração do Ano Novo na Times Square, em Nova York, será virtual.
🇪🇺 UE apresenta novo Pacto sobre Imigração e promete reforçar controles das fronteiras.
🇺🇸 Policial envolvido em morte de Breonna Taylor responderá por colocar vizinhos em perigo, decide júri dos EUA; Milhares protestam após decisão.
🇪🇸 Madri pede mais médicos e policiais em meio a aumento de casos de coronavírus.
🇺🇸 Biden conquista apoio de viúva de McCain, e Trump faz comício na Pensilvânia.
🇺🇳 Recorde de frio no Hemisfério Norte, com -69,6°C, é divulgado 28 anos depois do registro.
🇸🇦 Peregrinação muçulmana a Meca será retomada em outubro.
🇧🇾 Lukashenko presta juramento em cerimônia secreta em Belarus.
🇦🇺 Ao menos 380 baleias morrem encalhadas no sul da Austrália.
🇺🇸 Trump diz acreditar que eleições de 2020 vão acabar na Suprema Corte.

💰 ECONOMIA 💲
💰 Ibovespa fecha em queda e vai ao menor patamar desde junho com exterior; dólar sobe a R$ 5,58.
💰 Federação de Bancos alerta para aumento de fraudes durante a pandemia.
💰 Mais de 1,2 mil municípios aderiram ao sistema de compras do governo.
💰 ANP realiza mais de 7,4 mil fiscalizações no semestre.
💰 Contas externas têm saldo positivo de US$ 3,7 bilhões.
💰 Desemprego subiu 27,6% em quatro meses de pandemia.
💰 Pandemia reduz em um décimo renda mundial obtida com trabalho, diz OIT.
💰 Indústria da construção mostra sinais de recuperação, diz CNI.
💰 Prévia da inflação em setembro fica em 0,45%, diz IBGE.
💰 Caixa paga auxílio de R$ 300 para beneficiários do Bolsa Família.
💰 Com superávit de US$ 3,7 bilhões em agosto, contas externas têm saldo positivo pelo 5º mês seguido.
💰 Em meio à pandemia, gasto de brasileiros no exterior em agosto é o menor para o mês em 16 anos.
💰 Cenário segue desafiador para setor hoteleiro, mas turismo de lazer já se recuperou, dizem especialistas.
💰 Custos industriais caem 1,5% no segundo trimestre.
💰 Itaúsa planeja ir às compras e comprar negócios de até R$ 2 bilhões, diz Setubal.
💰 Ações de bancos caem até 3%; Petrobras tem baixa e Vale sobe 2% apesar de commodities, enquanto Localiza, Unidas e IRB disparam.
💰 Coworkings serão alternativas para flexibilidade do trabalho no futuro, diz head da WeWork.
💰 Membros do Fed prometem manter juro perto de zero e pedem mais ajuda fiscal.
💰 Magazine Luiza é a varejista mais admirada do país, segundo ranking Ibevar-Fia.
📊 Indicadores:
🏦 Ibovespa 95734 pontos 📉
💵 Dólar Australiano R$ 3,952 📈
💵 Dólar Canadense R$ 4,176 📈
💵 Dólar Comercial R$ 5,586 📉
💵 Dólar Turismo R$ 5,88 📈
💶 Euro R$ 6,459 📈
💷 Libra R$ 7,086 📈
💸 Bitcoin R$ 58.002,34 📈
🔶 Ouro (g) R$ 334,05
⚪ Prata (g) R$ 3,9986
⛏ Minério de Ferro 62% US$ 125,73
⛽ Petróleo Brent (barril) R$ 232,13
🐂 Boi (@) R$ 254,20
🎋 Açúcar Cristal (saca) R$ 86,77
💨 Algodão-MT (@) R$ 98,06
☕ Café (saca) R$ 534,51
🌽 Milho (saca) R$ 000
🥚 Ovo (dúzia) R$ 000
🥜 Soja (saca) R$ 143,56
🥖 Trigo-PR (t) R$ 1.152,74
💰 IGP-M a.m. ago/20 2,74%
💰 IGP-M a.a. 2020 9,64%
💰 IGP-M acum. 12m 13,02%
💰 IPCA a.m. ago/20 0,24%
💰 IPCA a.a. 2020 0,70%
💰 IPCA acum. 12m 2,44%
💰 Poupança 0,12% a.m.
💰 Selic 2% a.a.
💰 CDI a.m. ago/20 0,16%
💰 CDI a.a. 2020 2,11%
💰 CDI acum. 12m 3,84%
💰 INCC a.m. ago/20 0,72%
💰 INCC a.a. 2020 3,67%
💰 INCC acum. 12m 4,60%

💓 SAÚDE, CIÊNCIA & TECNOLOGIA 🔬
💓 Médicos creem em revolução no tratamento de câncer em menos de 30 anos.
💓 Covid-19: estudo com 50 mil pessoas aponta segurança da vacina chinesa.
💓 SUS abre consulta pública sobre uso de medicamento para o coração.
🔭 Nasa anuncia programa para levar primeira mulher à Lua em 2024.
🔭 Asteroide chegará mais perto da Terra do que satélites de TV e meteorológicos.
🖱 Facebook elimina contas chinesas falsas com conteúdo relacionado às eleições americanas.
🖱 Facebook, YouTube e Twitter firmam acordo com anunciantes para combater discurso de ódio.
🖱 Pré-cadastro do sistema de pagamentos PIX vira isca para golpes na internet, alerta empresa.
🖱 Instagram Reels, concorrente do TikTok, amplia duração dos vídeos para 30 segundos.
🖱 Jeff Bezos, fundador da Amazon, anuncia escola gratuita de linha montessoriana para crianças pobres.
🖱 TikTok vai à Justiça para tentar evitar bloqueio de downloads nos EUA a partir do próximo domingo.
🖱 Firefox para Android podia ser manipulado na rede Wi-Fi para abrir sites 'sozinho'.
🖱 YouTube lança portal para explicar como sua plataforma funciona.
📊 Somente 1% de adolescentes do sexo masculino vai ao médico; Pesquisa foi feita com 267 estudantes de escolas públicas e privadas de 12 estados brasileiros de ambos os sexos, sendo 170 meninos e 87 meninas.

🏆 ESPORTES 🏆
⚽ Governo de SP mantém jogos de futebol sem público nos estádios.
⚽ Tóquio exigirá testes de covid-19 para atletas, mas não quarentena.
⚽ Observador do Olympique, Jamelli aprova Luis Henrique e segue com a mira para o mercado brasileiro.
⚽ Thiago Mendes reencontra bombeiro e policial que o socorreram em acidente de trânsito em Lyon.
⚽ Palmeiras avança em negociação para venda de Vitor Hugo a clube da Turquia.
⚽ Fifa concede registro provisório de Lucas Fasson, do São Paulo, ao La Serena, do Chile.
⚽ Ex-técnico do Atlético-AC denuncia tentativa de suborno para perder jogo e cita atleta do elenco.
⚽ Justiça dá mais dois meses para Caixa e Corinthians chegarem a acordo por dívida da Arena.
⚽ Com surto de coronavírus, Al Hilal não tem mínimo de jogadores e é excluído da Champions asiática.
⚽ Cazares está em São Paulo para realizar exames médicos e assinar com o Corinthians.
⚽ Lewandowski, Neuer e De Bruyne são os finalistas ao prêmio de melhor jogador da Europa.
⚽ Elias comunica ao Santos que não fica no clube e encaminha acerto com o Bahia.
⚽ Com R$ 110 bi, Faiq Bolkiah, o jogador mais rico do planeta assina com time da ilha de CR7.
⚽ Conmebol muda horário de Peru x Brasil das Eliminatórias por toque de recolher.
⚽ Luis Suárez é novo jogador do Atlético de Madrid.
⚽ Brasileirão: Na estreia de Thiago Neves, Sport vence o Corinthians com gol de pênalti (1x0).
⚽ Maranhense: Sampaio e Moto empatam no primeiro jogo da final (0X0).
⚽ Inglês: Na estreia de Thiago Silva, Chelsea goleia o Barnsley com hat-trick de Havertz e avança (6X0).
⚽ Brasileiro Feminino: Corinthians vence Iranduba fora de casa e lidera (2x0).
⚽ Libertadores: Com gol de Pepê, Grêmio vence o Inter no Beira-Rio e chega a 10 Gre-Nais de invencibilidade (1x0); Com dois gols contra, Athletico vence o Colo-Colo e assume a liderança do Grupo C (2x0); Palmeiras empata com Guaraní e adia classificação às oitavas (0x0); Junior Barranquilla goleia o Del Valle de virada (4x1).
⚽ Copa do Brasil: Ceará goleia Brusque e está nas oitavas de final (5x1); Botafogo segura o Vasco em São Januário e garante vaga nas oitavas (0x0).
🏀 Basquete: Calouro Tyler Herro assombra os Celtics, Heat vence jogo emocionante e abre 3 a 1 na série final do Leste.
🎾 Tênis: Luisa Stefani se garante na semifinal do WTA de Estrasburgo; Marcelo Melo faz 37 anos e comemora com vaga para as quartas de final em Hamburgo.
🏁 Fórmula 1: Projeto mostra uniformes de equipes como se fossem times de futebol.
🏈 Futebol Americano: Astro do Los Angeles Chargers tem pulmão perfurado por médico antes de jogo da NFL.
🏄 Surfe: Campeão mundial Ítalo Ferreira vence competição na França.
🎮 eSport: FIFA 21 será lançado com 17 times brasileiros e o genérico Oceânico FC.

⛪ DAS RELIGIÕES 🕌
🛐 Gospel Waguinho lança EP com participação de Ferrugem, Cristina Mel e Willian Nascimento - Samba na Harpa.
🛐 Gospel Pedro Henrique divulga novo single - O Meu Clamor.
🛐 Missionários dekasseguis: como imigrantes brasileiros espalham o Evangelho no Japão.
🛐 Papa Francisco: o princípio de subsidiariedade dá esperança num futuro mais saudável e justo.
🛐 Nomeação do Papa: diocese de Rubiataba-Mozarlândia, em Goiás, tem novo bispo.
🛐 “Eutanásia é crime contra a vida”, afirma Vaticano.

🎭 ARTE & FAMA 🌟
🎙 BTS faz discurso na Assembleia Geral da ONU.
🎙 Safadão acusa Mileide de expor o filho a festa de Halloween 'inapropriada'.
🎙 Turnê de Michael Bublê tem novas datas confirmadas para o Brasil.
🎙 Tim Bernardes canta em português no quarto álbum da banda norte-americana Fleet Foxes.
🎙 Silva lança single com gravação de canção de Gilberto Gil ouvida na voz de Gal Costa.
🎙 Aretha Marcos, filha de Vanusa, se emociona ao gravar vídeo em homenagem à cantora.
🌟 Amanda Kloots, viúva de Nick Cordero, faz vaso de cerâmica com cinzas de ator.
🌟 Anderson Di Rizzi sofre acidente doméstico.
🌟 Felipe Neto está na lista dos mais influentes da Time junto com Bolsonaro.
📺 "Sob Pressão: Plantão Covid" estreia dia 6 de outubro.
📺 'Esquadrão Suicida': Peacemaker vai ganhar um spin-off de oito episódios.
📺 Fãs pedem Rowan Atkinson como Hitler em 6ª temporada de 'Peaky Blinders'.
📺 'Supergirl': série vai terminar na 6ª temporada.
📺 SBT com Palmeiras perde novamente para Globo com Corinthians e "A Fazenda.
📺 A Fazenda: JP Gadêlha, Lidi Lisboa e Luiza Ambiel estão na segunda roça.
🎞 Disney altera data de lançamento de 'Viúva Negra' e mais outras produções.

🖤 MORTES 🖤
✝ Gerson King Combo, considerado o Rei do Soul no Brasil, de complicações diabéticas, aos 76 anos
✝ Juliette Gréco, ícone da música francesa, aos 93 anos.

📱 LIVES DE HOJE: 🎼
• Thurston Moore – 16h (Site oficial)
• Noca da Portela – 19h (YouTube)
• Dua Lipa – 19h (YouTube)
• Sylvan Esso – 19h (YouTube)
• Vitão – 20h (YouTube)
• Onze:20 – 20h (YouTube)
• Sandro DJ (Funk em casa) – 20h (YouTube)
• André Moraes – 22h (Aplicativo BeApp)
• Clap Your Hands Say Yeah – 22h (Twitch)
• Teresa Cristina - 22h (Instagram)

🔎 #FAKENEWS: Não é verdade que Filha (Lolita, de 26 anos) se casou com a mãe (Loreta, de 44 anos) na África do Sul. Fonte: Boatos..org

🛳 TURISMO ✈️
🎒 Conheça Itajaí-SC: Fazendo parte do Vale Europeu, na foz do Rio Itajaí-açu, no litoral catarinense, Itajaí tem o segundo maior produto interno bruto do estado e a maior renda per capita do estado. Colonos portugueses vindos da Ilha da Madeira e dos Açores instalaram-se na região. A partir da década de 70, Itajaí passou por um processo de dinamização de sua economia. Hoje, possui o principal porto de Santa Catarina, que também é o maior exportador de frios do Brasil. Grandes empresas multinacionais e brasileiras instalaram-se na cidade. No Turismo as praias, entre elas Molhes, Atalaia, Jeremias, Cabeçudas, Morcego, Solidão, Brava e Amores. Ampla área rural e belas paisagens naturais, com uma rica herança cultural de imigrantes alemães, italianos e portugueses. Itajaí também considerado um templo da música eletrônica no Brasil. É por onde passam os melhores DJs do planeta e acontecem as melhores festas do verão catarinense. A praia Brava também é um ponto importante para os amantes do voo livre e do surfe, inclusive a praia recebeu uma etapa do WQS, a divisão de acesso do surfe internacional. Itajaí possui um píer para navio de passageiros que serve de ponto de apoio no litoral de Santa Catarina, alfandegado, dotado de infraestrutura adequada e exclusiva para recepção de embarcação de grande porte, voltado aos cruzeiros marítimos de lazer. Sua estrutura para atracação de navios, conta com cinco Dolfins (dois de amarração e três de atracação), dez metros de calado, 220 metros de plataforma do cais, 945 metros de plataforma em concreto. O destaque é a Marejada, festa portuguesa e do pescado, é a principal festa municipal, mostrando atrações relativas ao mar e ao Açores, que acontece todos os anos durante o mês de Outubro, com uma duração geralmente entre sete e quatorze dias. É a maior festa portuguesa e do pescado do Brasil, Itajaí também é sede do Clube Náutico Marcílio Dias, agremiação esportiva de futebol e remo. Fonte: Guia do Turismo Brasil

📚 FIQUE SABENDO...
...Qual a espessura de uma folha de caderno?
⁉️ De acordo com Silney Szyszko, da Votorantin Celulose e Papel, uma folha de caderno tem a espessura aproximada de 0,074 milímetros. “No entanto, os papéis em geral são avaliados de acordo com sua gramatura, que é seu peso por metro quadrado”, explica. No caso da folha de caderno, ele diz que a gramatura costuma ser de 56, ou seja, seu metro quadrado pesa 56 gramas. Fonte: O Guia dos Curiosos

🎥 CINE DICAS 🍿
☑ O Preço do Amanhã, 2011, Ficção científica. 1h49m. Class.:12anos.
☑ Direção: Andrew Niccol. (O senhor das armas, 2005).
🎬 Num futuro não tão distante, a população mundial trabalha e luta exclusivamente por tempo. Will Salas (Justin Timberlake. Alpha dog, 2006) encontra um desconhecido que lhe doa 1 século, por um! Por um descuido de tempo, Will perde sua mãe, fazendo com que lute contra o sistema que tira tempo dos pobres em benefício dos ricos.

📲 MOMENTO TECH 🖥️
Quem não gosta de ouvir uma música, hein?
⌨️ Pode ser para focar no trabalho ou na hora do treino da academia, hoje em dia é muito mais fácil e prático para você ouvir suas músicas preferidas. Segue uma lista dos serviços mais conhecidos: Tidal, Spotify, YouTube Music, Deezer. Esqueci de falar, algumas operadoras já incluem esses serviços no seu plano de celular e você nem utiliza!

📖 BÍBLIA: Então Samuel pegou uma pedra e a ergueu entre Mispá e Sem; e deu-lhe o nome de Ebenézer, dizendo: "Até aqui o Senhor nos ajudou". 1º Samuel 7:12 🙏

☕ Que seu dia seja como a vontade de DEUS: bom, perfeito e agradável!! 🥖
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2020.09.16 18:41 bellaciabr Razões para conhecer o site Bella cia

O Bella Cia é um site direcionado ao entretenimento adulto, conceituado no litoral de Santa Catarina onde é atuante desde 2011. O Site oferece anúncios de acompanhantes em todo o Brasil, atrizes pornôs, garotas de programa, modelos, massagistas, travestis, gays e casais. Todos os anúncios possuem fotos, dados pessoais e telefones particulares dos anunciantes para contato direto.
Este site vem inovando a cada ano, pelo seu sucesso no lindo litoral de Santa Catarina, conhecido por suas belas praias, belíssimas mulheres, baladas muito conceituadas e uma diversidade de entretenimento adulto.
Agora o Bella Cia almeja ampliar seu mercado. No ano passado (2019) o site buscou a melhor tecnologia para expansão, na atualidade as anunciantes têm total autonomia para criar os perfis e atualizá-los, mas existe uma preocupação com a qualidade do serviço prestado ao cliente final, apesar de muitas cidades no Brasil possuírem anúncios gratuitos, as anunciantes precisam se comprometer em atualizar os perfis e colocá-los no ar a cada 30 dias.
Na busca por uma acompanhante ideal o site tem muitas informações relevantes, o acesso é de fácil entendimento, com boas informações e rápido acesso a fotos e contatos, assim o cliente consegue fazer uma busca assertiva para realizar seus desejos sexuais.
Além de ser um site visualmente bonito, com lindíssimas acompanhantes de Luxo, ele ainda oferece um diferencial muito especial para seus visitantes. O Bella Cia conta com um processo manual de verificação de fotos, onde as meninas precisam comprovar a veracidade de seus perfis, assim os clientes mais exigentes podem entrar em contato somente com as acompanhantes que comprovarem ser as mesmas das fotos divulgadas.
Mas inovação mesmo está na busca por atrativos aos seus visitantes, hoje o Bella Cia conta com a possibilidade de seguir as anunciantes no site, viabilizando um contato mais próximo com as modelos preferidas, assim o cliente acompanha as atualizações de seus perfis e fica por dentro das novidades das acompanhantes.
O site também conta com um Blog, onde posta notícias, novidades e perguntas quentes com ensaio fotografico de modelos. Por fim, você que adora uma rede social vai amar a última novidade, o site contará com uma Timeline onde os seguidores poderão acompanhar de pertinho suas acompanhantes preferidas, que diariamente vão postar fotos provocantes.
Se você busca um site de acompanhantes que trabalha com inovação, lindíssimas modelos e acesso rápido a fotos e perfis, o Bella cia é o lugar certo! O site tem a acompanhante ideal para satisfazer seus desejos.
TOP CIDADES
Acompanhantes Balneário Camboriú
Acompanhantes Bluemanu
Acompanhantes Joinville
Acompanhantes Passo Fundo
Acompanhantes Ponta Grossa
Acompanhantes Itajaí
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2020.05.02 13:38 amornostemposdequa Peles e Espelhos

Tocava Stevie Wonder nas caixinhas de som ligadas no meu notebook enquanto meus dedos frenéticos teclavam mais um conto como esse. Os dedos acostumados com o teclado barato que se tornou uma ferramenta, uma extensão de meus sentimentos mais profundos e secretos. Diferente de meu coração verde que inventava histórias sem nunca as ter vivido de fato.
Mergulhado naquela tarde vazia eu ouvi alguém chamar no portão. De quem era aquela voz? Era feminina, mas de ninguém que eu conhecia. Parecia uma voz de anjo. Engraçado, parece que chamou dentro da minha mente interrompendo meu raciocínio. Quem ainda está visitando alguém no meio dessa pandemia? Não liguei nem parei de escrever por um segundo. Estava tão concentrado naquele parágrafo que parecia que estava apaixonado pelas mesmas palavras que eu usava todo santo dia. Como se fosse um tecido que eu desfiava durante o sono e costurava novamente durante a vigília.
A porta do meu quarto estava meia aberta e a música nas caixinhas de som ainda tocava algum soul dos anos 70’s quando de repente minha mãe me chamou da sala.
— Calmae, mãe.. — eu disse sem tirar os olhos da tela do notebook e sem vontade nenhuma de sair da minha cadeira. E antes que eu pudesse terminar a última frase do parágrafo ela entrou no meu quarto bagunçado acompanhada de minha mãe.
— Ouh menino, levanta pra cumprimentar sua prima. Ela vai ficar um tempo aqui com a gente antes de voltar para o Rio.
Quando eu virei a cadeira giratória me deparei com uma das coisas mais lindas já vistas pela retina dos meus olhos secos de tanto ficar em frente a tela de um computador. Seus pés com as unhas brancas à francesa davam contraste com sua pele jambo e suas solinhas estavam vermelhas de tantas horas de tênis dentro do ônibus. Usava um short jeans e uma desprevenida blusa amarela de alça deixando a pele negra exposta a luz do sol que a beijava suavemente naquela tarde amena do interior de São Paulo. Usava uma trança no cabelo e seu olhar parecia tão forte e profundo. Parecia que me olhava dentro da alma. Eu não acredito em alma gêmea mas tem olhos que parecem um espelho refletindo coisas que nem nós mesmo sabíamos que existia dentro da gente.
Eu levantei para cumprimentá-la. Dei um beijinho no seu rosto e ela como boa carioca me segurou um segundinho a mais para me dar um segundo beijo no outro lado da minha bochecha. Vendo que eu estava tímido ela me puxou e me deu um abraço.
— Oi primo, você lembra de mim? — Ela disse enquanto sorria não só com a boca mas também com os olhos com a testa com o corpo inteiro. Ela tinha um sol sobre sua cabeça. É claro que eu não me apaixonei assim rápido. Na verdade, só depois de algum tempo que eu notei aquela beleza em todo seu esplendor. Até então em minha curta vida amorosa meu coração tinha apenas se iludido sem saber bem o porquê, com os arquétipos inalcançáveis que a televisão colocou profundamente em meu inconsciente medroso e frágil.
Mas eu não lembrava dela. Não daquele mulherão que eu tinha na minha frente. Talvez algum resquício no fundo da memória de uma vez em que fomos no Rio e ficamos na casa da minha tia. Na verdade, eu lembro dela sim. Mas como ela era mais velha a gente não teve muito contato. Eu era apenas um menino e ela uma pré-adolescente sem paciência para criancices. Cerca de quinze anos se passaram e eu nunca mais tive contato com ninguém de lá. Até esse momento.
Depois que ela tomou banho e se instalou no quarto que era do meu irmão fomos jantar na mesa da cozinha.
— Primo, eu fiquei tão feliz quando soube que você fazia letras também.
— Ah, sim. Eu achei legal você fazer também. — Eu disse enquanto pensava que esse era um daqueles raros momentos em que a gente deixa de se sentir de todo só no mundo. Sorri calado enquanto dava uma garfada na costela com mandioca que minha mãe tinha feito.
— Você está em qual ano? — Ela perguntou.
— Terceiro. Mas acho que eles vão cancelar o semestre. Nosso campus resolveu peitar o governo e não colocar o ensino a distancia.
— Nossa, que corajoso. Se esse governo não cair eles vão ter arrumado uma puta briga com esse ministro louco. Quando passar essa pandemia eu quero conhecer seu campus.
— Vamos sim.
— Mas Jade, como que está a Tereza? — Minha mãe perguntou enquanto enchia o copo de suco.
— Ah tia, minha mãe está bem. A última vez em que a vi foi em fevereiro antes de vir aqui para o interior e começar minha pós-graduação. Mas agora sem ônibus eu nem sei quando vou conseguir voltar para o Rio.
— Eles estão dizendo que em agosto mas eu duvido muito. Você viu menina, o povo tudo na rua levando essa doença na brincadeira.
— Eu vi, tia. Pelo que minha mãe fala, lá no Rio também nego não está nem aí e os hospitais já estão abarrotados de gente.
— Só Jesus, né minha filha. — Logo após minha mãe terminar a frase eu perguntei a Jade:
— Você pesquisa que área na sua pós?
— To fazendo pós-graduação em semiótica. Você já teve essa matéria?
— Sim, sim. Tivemos um professor incrível. Era foda as análises que ele fazia.
— Ah primo depois a gente pode trocar algumas figurinhas semióticas haha — Ela disse isso com alguma maldade nos olhos que me pegou desprevenido.
Seu sorriso era um mundo aberto. Sua energia era um universo a parte que nos convidava a interagir. Era difícil ficar imune aquela pessoa. Para mim as vezes era difícil até respirar perto daquela mulher. Timidez e inexperiência junto com as desconstruções da internet me faziam ficar calado toda a vez que ela fazia uma gracinha um pouco mais provocativa. Eu nunca soubera se ela estava me dando mole ou apenas sendo legal. Na dúvida eu ficava sem jeito e calado. Ela percebia. E ria. Sabia que mexia comigo a danada. Depois eu escrevia no word toda minha afobação por estar perto dela. Mesmo com esse nó que eu tinha dentro de mim não demoramos a flertar pesadamente dentro de casa.
Certo dia de isolamento, em que ninguém sabia mais qual dia da semana era, ela entrou no meu quarto enquanto eu escrevia no notebook. Senti um cheiro de loção pós banho de maracujá invadir minhas narinas. Parecia um cheiro de mar. Tropical e fresco como agua de coco no calor de uma praia deserta.
Sua presença quente e seu perfume amarelo me excitaram de uma forma. Era como alguém tivesse apertado um botão dentro de mim. Claro, que já estávamos há não sei quanto tempo sem transar então não era de estranhar alguma tensão sexual no ambiente.
Apesar de já estar acostumado de ficar na sexa naqueles tempos eu estava tocando no mínimo duas por dia. Meus contos estavam mais eróticos que o normal. Tudo era tesão, raiva e medo. Notícias trágicas na minha linha do tempo vinham seguidas de nudes, soft porn e xingamentos às loucuras do presidente. Não exatamente nessa ordem. Eu as vezes sentia que ia explodir como uma bomba! De nêutrons, de hormônios, de amor.
Ela sentou na minha cama e ficou me olhando escrever enquanto tocava bacu exu do blues na minha caixinha de som. Seus pés macios como seda tocavam com as pontas dos dedos o tapete de crochê que minha mãe tinha feito. Ela estava mais calada que o normal e dessa vez foi eu que tomei a iniciativa para começar a conversa.
— Jade, o que você faria se estivesse afim de alguém mas não sabe se é reciproco ou não. É para um personagem que tô escrevendo aqui.
— humm.. depende da pessoa. Eu geralmente costumo ficar olhando calada, dando uma indiretas até a pessoa falar alguma coisa.
— E se a pessoa não percebe ou não toma a iniciativa?
— Aí ela perde TUUUDO ISSO haha — Ela disse isso e deu uma risada gostosa jogando seu corpão na cama.
Salvei o documento que eu estava escrevendo e deitei na cama ao seu lado. Ela encostou em mim deitando sua cabeça em meu bíceps. Quase pedia por um carinho como uma gata. Senti o cheiro de seu cabelo crespo e alto. Um vapor quente saía de seus poros e entrava direto na minha alma fazendo meu coração bater fortemente.
Nos olhamos de frente e novamente aquela sensação de alma gêmea surgiu como se estivéssemos espelhando nossas vidas conturbadas. Senti medo de me conhecer. Eu tenho medo de me conhecer mas ali com aqueles olhinhos castanhos me olhando e me devorando, eu sentia que a muralha do medo dentro de mim começava a ceder.
A janela do quarto estava aberta e deu pra ver uma estrela cadente cortando o céu como um meteoro da paixão. Sim é brega, mas fodasse. Deixei passar aquele desejo pois minha língua estava sendo sugada pela mulher mais linda que eu já tinha visto na vida. Ela sem roupa era uma deusa toda perfeita na sua imperfeição.
Era uma potência em cima de mim. Virada no diabo ela pediu para eu chupa-la. Ela enfiava minha cara entre suas pernas e puxava meu cabelo para lá e para cá guiando o seu próprio prazer. Quando ela gozou eu me senti um rei que acabara de tirar uma espada de uma pedra sem esforço algum. Em sua respiração ofegante entendi como naturalmente as coisas acontecem. Minha cabeça entrou no modo de escritor e eu quis correr para o bloco de notas para tomar nota daquela sensação mas logo aquela deusa de ébano me pegou pela nuca e enfiou a língua dela na minha boca até quase sair pela minha nuca. Depois me jogou na cama e montou em mim, cavalgando até eu não aguentar mais e enche-la com meu esperma quente. Ela tremia quando caiu ao meu lado da cama. Teias de aranha tiradas finalmente e de modo triunfal. A comida sempre fica mais gostosa quando se está com fome.
Apesar das recomendações, transávamos quase todos os dias. De todas as formas possíveis. As vezes só para matar o tédio de todos os domingos em que tinha se transformado os dias da semana. Achei engraçado que minha mãe não percebia. Ou percebia e ficava calada. Eu não sei se a questão de sermos primos a incomodava. Talvez ela percebesse que era nada sério. Eu não se para Jade, mas para mim foi muito sério. Pela primeira vez eu pude conhecer o corpo de uma mulher profundamente e pude mergulhar sem medo dentro das possibilidades do meu próprio prazer.
Espelhávamos um no outro não só os olhos mas também a cor de nossa pele, nossa história e passado. Também pela primeira vez não me senti subjugado nem em dúvida. Nem diferente, nem com medo, nem nada. Éramos apenas duas pessoas jovens e saudáveis fodendo num quarto. Eu finalmente era um homem. E só. Com meus defeitos e qualidades e com o direito de aprender com meus erros e acertos.
Cerca de dois meses se passaram e no primeiro relaxamento do lockdown Jade decidiu voltar para casa de sua mãe no Rio. Eu a levei até a rodovia do município. Foi e ainda é muito entranho ver todo mundo de máscara, o distanciamento das pessoas e o nosso também. Por mais que quiséssemos ficar abraçados naqueles últimos momentos juntos não queríamos ser os únicos a não respeitar a nova cultura que foi imposta pelo vírus.
O busão da Andorinhas com uma placa escrito Campo Grande x Rio de Janeiro finalmente chegou. Ela me deu um abraço apertado e seus olhos sorriram acima da máscara preta que ela usava. Senti vontade de lhe dar um beijo e ela pressentindo meu desejo tirou sua máscara pela alça na orelha. Depois cuidadosamente tirou a minha também. Passou os dedos com as unhas sem esmalte no meu rosto. Me beijou profunda e amorosamente por alguns segundos. Não sabíamos se nos veríamos de novo. O medo e o futuro incerto pairavam no ar. Eu queria mais que tudo vê-la novamente em breve. Não só por pela intensidade de tudo que vivemos, mas por uma necessidade de acreditar no futuro. Nada como o medo da morte para nos fazer dar valor as pequenas coisas da vida.
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2020.04.03 22:41 nick130 Como saber se ela realmente gosta de mim ou só gosta do meu corpo e de me usar?

Tenho 21 anos e estou ficando sério com uma menina a 5 meses, a gente se conheceu em uma festa e transou nesse mesmo dia, desde então a gente vem se falando e ficando, já pedi ela em namora mês passado e ela disse que queria só ficar sério por enquanto, e foi aí que começou as dúvidas na minha cabeça.
Eu não me considero um cara bonito, mas tenho um corpo bem legal e isso me salva kkkkk malho desde os 14 anos. E a gente começou a conversar por causa disso, ela pediu para sentir meu braço, e aí tudo começou, e estou começando a sentir que nossa relação e totalmente rodeada em sexo e em rede social, nos mal saímos para um cinema ou jantar, toda vez que digo para fazermos algo assim ela sempre rebate dizendo que hoje tá com vontade de ir para cama, e quando não é isso é um churrasco ou ir para praia onde ela passa mais tempo tirando foto nossa e minha do que realmente conversando e se divertindo.
Estou postando isso agora por que estou realmente cogitando acabar tudo por causa dessa última dela, ela tem um certo grupos de amigas que ela gosta de mandar fotos minhas e meio que se amostra, como disse não sou muito bonito, mas tenho um corpo legal, eu não ligava para isso até se tornar algo recorrente, e ao conversar com algumas amigas dela notei que todos os exs dela eram parecidos, caras sarados que ela postava todo dia no Instagram, mas a última que me deixou com ódio foi que a mais de um mês que ela pede para mandar uma nude minha em um pequeno grupo de amigas próximas dela, eu já disse mil vezes que não me sinto confortável com isso, sei que ela já falou para essas amigas sobre meu dote e como sou na cama, não liguei muito para isso já que acho que amigas falam isso para outras amigas próximas, mas foto já e demais, mesmo ela dizendo que as outras amigas mandam foto do pau dos namorados lá; enfim, só sei que ontem ela pediu para eu pegar o celular dela e mandar uns documentos do celular para a mãe dela no WhatsApp e vi nesse tal grupo uns comentários entranhas, sei que não é certo o que fiz mas abri para ver o que era, ela tinha enviado no grupo uma nude minha que tinha mandando para ela a muito tempo e uma foto nossa trepando, eu fiquei furioso e fui perguntar para ela que po**a era essa, que eu não tinha dado permissão para mandar foto nua minha para ninguém, e ela ficou rebatendo dizendo que eu que não tinha permissão de ficar vendo o WhatsApp dela, que é normal a namorada querer se gabar para as amigas. Sai da casa dela e não falei com ela desde então, estou furioso até agora como ela pode mandar para outras pessoas algo tão pessoal, a foto que ela mandou não mostra meu rosto mas mesmo assim, já tive nude minha vazada e não quero isso de novo...
Ela está me mandando mensagem desde ontem a noite, algumas pedindo desculpa e dizendo que as amigas prometeram não mandar para ninguém e outras dizendo que eu sou um babaca que isso que ela fez e normal, que ela não se importa comigo e só tá comigo poraquê fodo bem, e depois volta para pedir desculpa e que tá com a cabeça quente, oscilando assim... Para vocês que perguntam por que ainda to com essa menina é por que quero namoras ela, bem, antes disso eu suspeitava que ela só ficava comigo por aparência, mas além dela ser muito bonito, eu gosto dela e acho que, nos poucos momentos que tivemos sem ser sexo ou tirando foto, eu gosto, quando ela está no bom dia ela é uma pessoa legal e eu vivo nessa ilusão que, sei lá, se começarmos a namorar mesmo talvez esse lado “normal” dela fique maior, talvez seja apenas wishfull thinking, e esses últimos acontecimentos talvez sejam prova disso.
Vocês acham que eu deveria realmente acabar com ela, ou que eu deveria voltar e tentando ficar com ela e ver no que dá? Ainda existe esperança nela?
TL;DR Ficando sério com uma mina a 5 meses que só se importa com meu corpo e meu pau, se interessa muito pouco em atividades nas quais não sejam sexo ou se amostrar para as amigas, recentemente mandou uma nude minha para um grupo de amigas sem minha permissão, será que ela fez isso por mal e realmente não se importa comigo e só quer sexo e inflar seu ego me usado ou posso tentar transformar ela em uma pessoa melhor e isso é só uma fase?
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2019.05.30 22:09 KoopaTrope Sonhos lúcidos

- É sua tarefa, Luís, não minha.

- Eu sei, só estou pedindo ajuda. Você não pode me explicar?

O escritório inteiro olhava para os dois, mas a colega com quem ele falava nem tirava os olhos da tela para respondê-lo.

- Não. É responsabilidade sua.

Ele ficou ali, de pé, constrangido. A mulher acrescentou:

- Pôr calças também seria uma boa ideia.

Luís percebeu que estava pelado abaixo da cintura. Cobriu suas partes com as mãos e, envergonhado, voltou ao seu lugar. Sentou-se e fingiu que estava tudo normal. Perguntou-se se Mara havia visto aquela humilhação toda.

Tentou trabalhar, mas raciocinar estava difícil, então abriu o Outlook e digitou:


“Para: Suporte Técnico Assunto: Café Mensagem: 

Olá, Poderiam, por favor, me trazer uma xícara de café? Aguardo sua resposta. Atenciosamente, Luís Monteiro” 


Assim que enviou o e-mail, Mara veio ao seu cubículo conversar. Ela estava de saia rosa e uma boa parte da coxa de fora. Luís afundou-se na cadeira tentando esconder sua nudez debaixo da mesa.

- Precisa de ajuda? - A voz, assim como o rosto, era da sua ex, mas aquela era a Mara mesmo assim.

- Preciso.

Ele tentou se lembrar aonde estava guardado, na rede, o arquivo que precisava preencher. Abria diversas pastas mas não o achava. Mara mudava o peso de uma perna para a outra, impaciente.

Ele clicou duas vezes em um arquivo e um emulador de Super Nintendo se abriu, com as palavras “STAR WARS” em amarelo num fundo preto. A versão 16-bit do tema do filme tocando alto.

- Não sei o que é isso - ele mentiu enquanto tentava abaixar o volume da caixa de som, sem sucesso. - Nunca instalei isso. Não é meu.

Diversos colegas se aproximaram para olhar sua tela.

- Aqui está o café! - gritou o cara do suporte técnico, tentando ser ouvido por cima da música.

Luís tentava fechar a janela do emulador, mas não conseguia. O logo amarelo se distanciava da tela e um texto o seguia lentamente pelo espaço. A música continuava jorrando. O cursor estava em cima do “X”, mas quando ele clicava nada acontecia. No desespero, acertou com o cotovelo a xícara que havia surgido em cima da mesa. Mara gritou quando o café pelando caiu na sua perna.

- Desculpa! - Luís disse se levantando.

Os olhares dos colegas o lembraram que ele estava pelado. Mara chorava. Ela tirou a mão da coxa revelando uma ferida em carne viva.

- Desculpa! - Ele implorou.

A menina olhou para a nudez de Luís. Sua expressão passou de dor para surpresa, e logo para a de desespero.

- Na sua barriga também! - Ela disse, apontando para o jovem.

Ele olhou para baixo.

Sua barriga estava tostada. Bolhas cresciam e estouravam, fazendo sangue e pus escorrerem pelas suas pernas.


Tudo aquilo desapareceu, exceto pela música, e Luís viu-se em seu quarto, deitado na cama. O lap top estava quente em sua barriga ainda com Super Star Wars ligado. Fechou a janela do jogo assim que entendeu o que estava acontecendo. Ah, silêncio!

Havia chegado tarde do trabalho, descongelado e comido uma lasanha e deitado no escuro para jogar um pouco e relaxar. Nem percebeu quando caiu no sono. Devia ter esbarrado em alguma coisa e o lap top saiu do modo inativo, o acordando.

“Que merda de sonho”, pensou. Ter pesadelos já era ruim, mas sonhar que estava trabalhando era horrível. Chegara do serviço e pegara no sono por oito horas, só para trabalhar lá também. E agora já tinha que voltar pro escritório. Era como se fizesse três turnos emendados. O pior é que esses sonhos estavam cada vez mais frequentes.

Pensou sobre o pesadelo que teve. Aliviava-se ao lembrar dos detalhes e se assegurar de que nenhum deles tinha acontecido de verdade. Riu da ideia de pedir um café por e-mail para o suporte técnico. “Acho que vou fazer isso hoje”, brincou para si mesmo, começando a ficar grogue de sono novamente. Abriu os olhos com urgência e checou as horas no celular. Faltavam quinze minutos pra ter que se levantar.

Quinze minutos era o pior. Muito pouco para voltar a dormir mas muito tempo para desperdiçar se levantando. Já que estava com o computador na cama, abriu uma janela do Reddit e começou a navegar.

No meio de memes e gifs de cachorros, viu uma postagem que, se houvesse visto em outro dia, teria ignorado, mas hoje lhe chamara a atenção. Era um texto sobre sonhos lúcidos. Ele já havia ouvido falar naquilo, sabia que tinha a ver com controlar seus sonhos. “Num pesadelo como o de hoje isso seria muito útil”, pensou.


Ao meio-dia, enquanto almoçava, Luís leu o artigo salvo no celular.

O conceito era o que imaginava: controlar a si mesmo e tudo ao seu redor nos sonhos. A maneira como se alcançava isso era percebendo que estava sonhando sem acordar. Assim a realidade era sua para ser modelada. “Eu poderia fazer o que quisesse”, pensou. “Poderia ser um jedi, ter uma Ferrari, comer a Megan Fox…”.

Leu atentamente a segunda parte do texto, que ensinava como atingir a lucidez nos sonhos.

A primeira dica era ter um diário de sonhos, que deveria ficar na cabeceira da cama, tanto para que fosse possível anotá-lo antes de esquecê-lo, quanto para que de noite a pessoa caísse no sono perto do caderno. Isso faria com que ela inconscientemente se preparasse para sonhar, aumentando suas chances de perceber que sonhava.

Aquilo pareceu bobagem para Luís. Esse papo de inconsciente não era sua praia, mas o próximo ponto parecia mais racional e o fascinava.

Tratava-se de outro tipo de truque para perceber que se estava sonhando. A grande sacada era se viciar nesses truques, de maneira com que a pessoa começasse a testar o seu redor mesmo sem pensar a respeito, até que em algum momento acabaria fazendo aquilo sem querer em um sonho, e então perceberia que estava dormindo.

Dois desses truques fizeram muito sentido para Luís. Um era olhar a palma de sua mão o tempo todo, de cinco em cinco minutos, se possível, todos os dias, até que começasse a fazê-lo sem pensar. Acabaria conhecendo a imagem da sua palma, e quando, por vício, fizesse aquilo em um sonho, reconheceria que aquela não era exatamente a sua mão.

Outro truque que Luís achou que podia funcionar com ele era se viciar em apertar todo interruptor de luz que visse. Teria que, toda vez que entrasse em uma sala sozinho, procurar um interruptor e apertá-lo. Segundo a postagem, assim como a palma da mão, a mudança da luz em uma sala era difícil de ser reproduzida perfeitamente por nosso cérebro.

Se ele era influenciável o suficiente para frequentemente sonhar que estava trabalhando, não via porque não conseguiria condicionar-se a testar uma dessas coisas num sonho.


- Tá tudo bem? - Perguntou Pedro, ao flagrar Luís, de novo, olhando para a palma de sua mão.

- Sim, tudo certo.

Pedro sentava ao seu lado e provavelmente o veria fazendo aquilo diversas vezes ao dia, então Luís abriu o jogo:

- Eu só estou fazendo um teste. É um truque para se ter sonhos lúcidos.

O colega franziu a testa.

- Isso é quando você tem um sonho super realista, tipo A Origem, né?

- Mais ou menos. - Ele respondeu, sem saco para explicar, e com um pouco de vergonha também.

Após os dois ficarem em silêncio por um instante, Luís checou novamente sua palma. Pedro balançou a cabeça negativamente e balbuciou:

- Coisa de louco.

Luís ouviu esse tipo de comentário diversas vezes nos dias seguintes. Mesmo assim, sua força de vontade o fez continuar. De cinco em cinco minutos, as vezes ainda mais frequentemente, ele checava sua palma, não se importando com quem via. Começou a fazê-lo sem pensar, até na frente da Mara.

Sempre que entrava em um cômodo novo e se via sozinho, procurava o interruptor e o apertava, prestando atenção em como a luz se apagava e se acendia. Não importava se estava em casa, no escritório ou qualquer outro lugar. Chegou a apagar a luz sem querer na cozinha do escritório enquanto umas dez pessoas almoçavam. Apenas pediu desculpas e acendeu a lâmpada, aproveitando para reparar bem em como isso mudava o ambiente.

Até a dica do diário de sonhos ele seguiu. No começo sentiu-se um pouco ridículo escrevendo seus sonhos, mas acabou gostando de ter um jornalzinho e poder reler aqueles sonhos bizarros que sumiam de sua cabeça alguns minutos após acordar.

Após dois meses ele havia quase desistido daquilo tudo. Quando apertava um interruptor ou olhava para a palma de sua mão se perguntava por que estava fazendo aquela idiotice, mas então imaginava-se voando num sonho, e sendo um rei por oito horas, todos os dias, e insistia no hábito.


Um dia Luís estava com a Mara na casa dela. A aparência era da casa de sua avó, mas era a da Mara mesmo assim. Sentados no sofá, os dois conversavam, e a menina o tocava quando falava, e ria toda vez que ele fazia um comentário engraçado. “Isso está indo muito bem”, ele pensava, e pela primeira vez perto dela falava com confiança.

- Sabia que seu nome é de uma personagem do Star Wars?

- É mesmo? - Ela arregalou os olhos, muito interessada.

- Sim. Mara Jade. E o seu olho é verde, igual jade…

- Uau! Que coincidência!

- É! Eu pensei nisso assim que me apresentaram você, quando eu entrei na empresa.

- Eu tenho uma coisa do Star Wars aqui.

A moça se levantou e se trancou no closet. Depois de alguns instantes saiu vestindo uma longa tanga vinho que cobria a parte da frente e de trás de sua cintura, aberta nas laterais, um biquini metálico, pulseiras douradas e um colar apertado, do mesmo metal, do qual saia uma corrente. Seu cabelo trançado caia decorado por presilhas amarelas.

- Você gosta? - Ela o provocou.

- Muito - Respondeu, finalmente ficando nervoso.

- Vem.

Mara saiu da sala em direção ao seu quarto e Luís a seguiu. Entre os dois cômodos havia um corredor, e nele, sem pensar, o jovem olhou para a sua mão.

Havia algo de errado. Tentava reconhecer as linhas mas não conseguia. Elas se embaralhavam na sua palma. Apenas quando Luís focava no lugar em que uma linha deveria estar é que ela aparecia corretamente.

“Isso não está certo”, ele pensou.

- Vem, Luís.

Ele podia ver Mara na cama, olhando para ele do quarto. Teve vontade de esquecer a sua mão e ir até ela, mas algo dentro de si dizia que aquilo era muito importante, e que, muito tempo atrás, em um tempo que ele nem se lembrava mais, queria muito que aquilo acontecesse.

“Tinha a ver com perceber se eu estava sonhando”, lembrou. Aquele pensamento o fez procurar por um interruptor de luz.

Do lado da porta do quarto onde Mara estava havia um grande interruptor amarelo. Luís o apertou e nada aconteceu.

“Estranho”, pensou. A lâmpada estava apagada, mas o corredor continuava iluminado. Apertou o botão novamente e viu a luz surgir dentro da lâmpada, um instante mais devagar do que deveria, mas a iluminação ao seu redor continuava a mesma.

Uma realização veio de repente: “estou sonhando”.

Agora ele via a diferença. Era como se tudo existisse de maneira fraca, exceto aquilo em que ele prestava atenção. Olhava para Mara e a única coisa que existia era ela. Olhava para o interruptor e Mara deixava de existir, e após alguns segundos, quando relaxava, coisas ao redor começavam a aparecer em segundo plano, desfocadas.

“O que eu quiser vai existir. Isso é tudo minha imaginação, só preciso aprender a controlá-la”. Olhou para a mulher na cama e concentrou-se, imaginando-a levantando o braço. Ela o levantou. Como se uma chave tivesse sido virada no cérebro de Luís, o sonho parou de acontecer sozinho, e ele se viu no poder.

Ao ganhar o controle, tudo ao seu redor desapareceu. Ele estava no meio do nada.

Lembrou-se do artigo que leu. Haviam diferentes níveis de domínio dos sonhos, e no mais forte apenas o que a pessoa imaginasse existiria, sem nada em segundo plano sendo projetado pelo inconsciente. “Parece que vim direto pro nível mais avançado”, pensou.

Imaginou a Mara numa cama a sua frente e o pensamento se materializou na hora. Ele se aproximou. Agora tudo o que existia era ele, a cama e Mara. Relaxou por um instante e tudo desapareceu. Ele estava no meio do nada de novo. Esforçou-se para fazer Mara e a cama reaparecerem, e conseguiu, mas a mulher não fazia nada, apenas estava lá, da maneira em que ele a imaginava.

Tinha que concentrar-se para que ela continuasse existindo. Suas curvas, seu olhar, seu sorriso, nada daquilo existia mais sozinho, como antes, tudo dependia dele imaginar.

“Isso não é muito diferente de fantasiar acordado”, pensou. Tocou a pele da mulher. Não sentiu nada. Imaginou a textura e a temperatura, e de certa maneira a sentiu. “Isso não é um sonho mais. É só imaginação.” A decepção fez com que ele se desconcentrasse e tudo desapareceu novamente. Dessa vez ele imaginou a Megan Fox na sua frente. Tocou-a e o resultado foi o mesmo: teve que imaginar a sensação. “Isso é ridículo. Eu já me imaginei tocando essas duas um milhão de vezes. No sonho deveria parecer real!”.


O sonho foi interrompido pelos berros de um despertador. Xingando, Luís o desligou. Por instinto ele abriu seu diário de sonhos na página daquele dia, destampou a caneta Bic e olhou para a folha em branco por um segundo. Fechou a caderneta com a caneta no meio e a atirou para o outro canto do quarto. “Que merda”, ele pensou, frustrado. Não anotou mais seus sonhos.

Naquele dia o jovem lutou contra o vício e não olhou nenhuma vez para a palma de sua mão. Quando via um interruptor tinha vontade de xingá-lo. Sentia-se enganado e traído.

Parte de si ainda negava que aquilo realmente acontecera. Enquanto trabalhava, fechou os olhos e imaginou-se tocando a Megan Fox pelada. A sensação era exatamente igual à do sonho. O que ele havia visto e sentido enquanto sonhava não era nem um pingo mais real do que sua imaginação era normalmente, e ele não se considerava alguém com uma imaginação super fértil. Todas aquelas semanas de treino, o ridículo que passara na frente das pessoas ao olhar para sua mão o tempo todo, tudo aquilo para nada. Para um sonho de merda que nem podia ser chamado de sonho.

- Tá dormindo? - Perguntou Pedro, voltando do banheiro.

Luís abriu os olhos e fingiu trabalhar.

- Ou tá sonhando que nem A Origem? - Pedro riu alto com seu comentário, sentou-se e abriu seu lap top com um sorriso no rosto.


Ao chegar do trabalho, Luís comeu um miojo, colocou o pijama e tomou um remédio para dormir, que gostava de ter em casa para uma emergência. Deixou a louça acumular mais um dia. Ainda não eram nem 8 horas, mas ele apagou a luz do quarto e se deitou.

Não sabia exatamente aonde queria chegar, mas precisava sonhar. Ele se perguntou se “acordaria” outra vez dentro do sonho. Se acontecesse, talvez ele pudesse fazer tudo sentir mais real do que na noite passada. Seria bom. Mas ele torcia para que nada disso acontecesse. Ele queria ter um sonho normal, sem lucidez nenhuma. Um sonho que o enganasse até alguns segundos após acordar.

Um facho de luz azulada entrava pela abertura por entre as cortinas e se estampava na parede. Ficava mais forte e esbranquiçado quando um carro passava na rua. Luís assistiu aquilo por uma meia hora.

Ele não percebeu a transição, mas se encontrava em lugar nenhum, no meio do nada. Lá não era escuro, mas também não era claro. Simplesmente não era nada.

Lembrou-se de uma postagem que leu no Reddit, de um cara tentando entender como é possível que cegos simplesmente não enxergam, ao invés de ver tudo escuro. Alguém havia explicado pedindo para que o OP fechasse os olhos. “Tudo o que você vê é preto, certo?”, dizia o comentário. “E o que você vê atrás de si? Tudo escuro também? Não, você simplesmente não enxerga nada atrás de si. Não é preto nem branco, simplesmente não existe”. Assim era o nada ao redor de Luís.

Ele já estivera ali antes. Na noite anterior, assim que começou a sonhar lucidamente e tudo ao seu redor desapareceu, mas dessa vez o jovem soube que estava sonhando no instante em que adormecera e aparecera ali. Nem tivera a chance de ter um sonho não lúcido. “Merda. Será que vai ser assim a noite inteira?”

Resolveu pelo menos tentar se divertir. Lembrou-se do comentário do Pedro sobre Inception e tentou criar uma cidade ao seu redor, como no filme. Imaginou uma rua com calçadas. Não era ultra-realista como ele esperava que seus sonhos lúcidos seriam, era apenas tão real quanto sua imaginação. Ele se perguntou se sempre sonhara assim, tudo meio fora de foco, meio descolorido.

Concentrou-se no chão e, após alguns segundos, conseguiu detalhá-lo bem. O asfalto brilhava e a calçada era feita de paralelepípedos, todos perfeitos e do mesmo tamanho. Grama crescia aqui ou ali, por entre as pedras.

Imaginou um prédio ao seu lado, uma torre de cimento e vidro. Decorou-o com um portão de ferro, alguns degraus levando até a porta de entrada e uma portaria vazia.

Percebeu que, ao imaginar o prédio, havia deixado de lado o chão, que desaparecera. Imaginou-o outra vez, agora se esforçando para manter as duas coisas na cabeça ao mesmo tempo.

Conseguiu fazer ambas as coisas existirem juntas, mas não pôde mantê-las tão detalhadas quanto antes. Se o asfalto brilhava e grama crescia na calçada, o prédio era apenas uma torre cinza sem graça. Se o prédio tinha janelas e uma fachada bonita, o chão tornava-se apenas uma sombra aos seus pés.

“Talvez se eu praticar bastante eu consiga”, pensou, mas não queria treinar aquilo. Não era divertido. Qual era o ponto daquilo tudo? Ele só queria voltar a sonhar normalmente e deixar esses sonhos lúcidos pra trás.

Esqueceu o pedacinho de cidade ao seu redor. Tudo desapareceu e ele voltou ao nada.

Quis relaxar como se tentasse dormir, mas não tinha sono. Claro, já estava dormindo. Sua mente estava relaxada mas em alerta, como quando ele tomava café no escritório mas continuava com preguiça de trabalhar.

Ficou apenas pensando na vida, esperando as horas passarem. Não havia maneira de checá-las. Achava que haviam se passado duas horas, pelo menos. Três talvez. Esperou mais.

Considerou que teria que esperar oito horas até o despertador acordá-lo. Ou mais, porque havia dormido cedo. “Pensei que o tempo nos sonhos passasse mais rápido ou algo assim. Merda de filme”.

Talvez em um sonho de verdade o tempo parecesse passar de maneira diferente, mas ele podia chamar aquilo de sonho? Só estava com sua mente acordada enquanto dormia, nada mais.

Após o que pareciam ter sido realmente oito horas, acordou. Seu corpo estava descansado, mas sua mente não. Era difícil se concentrar em qualquer coisa.

No trabalho ele não rendeu nada e em casa menos ainda. Deixou as tarefas domésticas para o dia seguinte de novo. A louça continuou acumulando e ele sabia que amanhã teria que usar uma camisa amassada, porque não tinha energia para passar.

Faziam dias que ele não falava com seus amigos e família, mas ignorou as ligações de sua mãe, apenas mandou uma mensagem de “está tudo bem, amanhã nos falamos”. Não queria conversar com ninguém naquele estado.

Perto da meia-noite se deitou. Mesmo cansado, a ideia de dormir e ter um sonho daqueles outra vez lhe parecia terrível. Passou a noite inteira jogando Dwarf Fortress e tomando Coca-Cola.


- Meu Deus, você está um caco! - Disse Pedro.

- Não consegui dormir.

Luís olhava para a tela do computador, mas não raciocinava. Os e-mails que chegavam pareciam estar em grego e as conversas ao seu redor não faziam sentido. Não comentou nada nas reuniões em que participou. Se alguém lhe pedisse para resumi-las ele não teria ideia do que foi tratado.

Era como se tivesse ficado mais de 48 horas acordado, já que duas noites atrás, quando havia dormido, não descansara sua mente. No fim do expediente esse número subiu para 56 horas.

As cores estavam diferentes e as palavras não faziam sentido. “Isso já é considerado alucinar? Acho que sim”. Quando olhava para o computador por muito tempo e depois para uma parede branca, via a tela estampada em negativo, desaparecendo aos poucos e aparecendo mais forte cada vez que piscava os olhos.


Naquela noite ele não teve escolha, dormiu. Nem se lembrava de caminhar até a cama e se jogar, mas percebeu quando apareceu naquele nada que eram seus sonhos agora. Lúcido outra vez. Foi quando teve a realização de que talvez nunca mais sonhasse normalmente, e pra sempre estaria “acordado” ao dormir. Talvez ao “virar a chave” no seu cérebro ele tivesse quebrado sua habilidade de sonhar para sempre.

O desespero bateu. Oito horas por dia daquele tédio e solidão para o resto de sua vida seria tortura. Tentou se entreter de alguma maneira.

Criou outro ser humano no sonho e tentou dar-lhe uma personalidade, mas ele só fazia o que Luís imaginasse. Voltou a tentar criar sua cidade. Talvez se fizesse uma bem grande teria como se entreter nela. Dessa vez não tentou detalhá-la demais e preocupou-se apenas em criar o maior número de objetos possíveis, sem fazer os outros desaparecerem. O esforço mental era enorme.

Foi quando percebeu que isso só o esgotaria mais, e seus dias seriam cada vez piores.

Sentou-se no nada e tentou descansar. Teve a ideia de meditar. Não sabia muito bem como fazer aquilo mas sabia que tinha que tentar não pensar em nada. Talvez conseguisse descansar seu cérebro um pouco.

As horas passaram devagar e dolorosamente. Em nenhum momento ele sentiu que ficou menos lúcido, mas quando acordou Luís percebeu que a meditação o ajudou. Continuava exausto, mas sentia-se como se tivesse tirado uma soneca.

Nas noites seguintes ele continuou meditando, tentando usar sua cabeça o mínimo possível. Durante o dia ele lia sobre a prática e religiões orientais, o que ele teria achado ridículo alguns meses atrás. Seus dias voltaram a render, tanto no trabalho quanto em casa, e ele se sentia relativamente descansado. Voltou a comer bem, lavou a louça, ligou para a sua mãe e voltou a sair com seus amigos.

Seus dias eram bons, o problema eram as noites. Oito horas sem fazer nada além de meditar, todos os dias, sozinho, sabendo que a alternativa era sofrer de cansaço durante o dia. Houveram noites em que ele se rebelou. Imaginou-se em cenas de ação, duelando de espadas ou pilotando uma X-Wing. Outra noite passou o Episódio IV inteiro na sua cabeça, como se assistisse ao filme. O resultado dessas noites rebeldes era sempre o mesmo: no dia seguinte era como se não tivesse descansado, e ele prometia para si mesmo que naquela noite não cometeria o mesmo erro.

Após alguns meses ele estava pró em meditar. Já tinha até uma rotina. Criava uma versão simplificada de seu quarto, mas todo “zen”, com um bonsai de pinheiro-negro e um daqueles jardins de areia japoneses, uma janela que sempre dava para um céu azul por onde entrava seu cheiro favorito, o de grama cortada, e silêncio completo. Depois se sentava num puff super confortável, fechava os olhos e tentava não pensar em nada até acordar - o que fazia o quarto desaparecer, mas o importante era aquele relaxamento inicial. Ficou tão bom nisso que não gastava nem cinco minutos para criar o quarto, e conseguia descansar o resto da noite.

Ainda achava todo o papo espiritual das religiões orientais pura baboseira, mas aprender a não pensar em quase nada havia salvado sua vida.


Uma noite ele sentou-se naquele puff, fechou os olhos e prestou atenção em seus pensamentos. “Ainda tenho oito horas disso”, “não vou conseguir me concentrar hoje”, “amanhã tenho muita coisa pra resolver no trabalho”, “toda noite será assim, pro resto da vida?”. Como sempre, no começo seus pensamentos abundavam, mas Luís foi vencendo-os um a um, até que conseguiu manter o foco apenas em uma coisa: um ponto imaginário a cerca de dois metros à sua frente. Toda a sua energia mental estava focada naquilo. Algumas horas se passaram e então, como que num passe de mágica, ele esqueceu de prestar atenção no ponto.

Não percebeu quando passou a não pensar em nada, como havia lido que era possível, mas sempre duvidara. Sua autoconsciência naquele momento era como o nada lá fora: nem escura, nem clara, apenas não existia.

- Oi Luís.

A voz era grossa, mas feminina. Luís abriu os olhos assustado. Estava no meio daquele nada que já conhecia bem. Olhou ao redor, procurando alguém.

“Devo ter imaginado isso” pensou, frustrado de ter que começar a meditação de novo.

Imaginou o quarto. O chão, o puff, o bonsai, a porta, a janela, dessa vez até colocou um aquário em um canto porque estava sentindo-se criativo. Sentou-se no lugar de sempre, sentindo o cheiro de grama cortada.

Alguém bateu na porta.

Luís levantou-se de supetão. “Que porra é essa?”. Ele olhou para a porta assustado, tentando perceber se realmente tinha alguém do outro lado. Imaginou que lá fora o sol brilhava. Debaixo da porta a luz entrava em três fachos, como se houvessem dois pés parados do lado de fora. Certamente ele não estava imaginando aquilo de propósito.

Criou um olho mágico na porta e espiou. Do outro lado havia uma pessoa com longos cabelos pretos.

- Deixa eu entrar, Luís - ela disse.

Ele hesitou por um instante, mas ter um amigo nessas noites não seria nada mal. “Foda-se”, pensou, e abriu a porta.

A criatura entrou quase que violentamente, mas sorrindo. Olhava ao redor com muito interesse. Ela não usava nenhuma peça de roupa, mas seu magro corpo era coberto de pêlos, como os de um cavalo, e os longos cabelos pretos chegavam à cintura.

- Hm, não quer se sentar? - Luís apontou para a cama, sem jeito.

Ela se acomodou e bateu com uma mão peluda ao seu lado, sinalizando para que Luís se sentasse também.

Ele obedeceu.

- Quem é você? - O jovem perguntou.

Ela o olhou com grandes pupilas que cobriam quase todo o espaço branco dos olhos, que estavam abaixo de grossas e bagunçadas sobrancelhas. Quase sem queixo, seu rosto terminava em uma larga boca que ia de orelha a orelha.

- Não sei - ela respondeu, com toda a honestidade do mundo.

- Mas como você veio parar aqui, na minha cabeça, se eu não estou te imaginando?

Ela riu. Seus dentes eram pontudos.

- Eu sempre estive aqui, você que chegou faz pouco tempo.

- Então por que eu não te vi antes?

- Eu não pude fazer muita coisa desde que você assumiu o controle. - Ela já havia perdido o interesse no jovem e voltara a olhar ao seu redor. - Você me bloqueou.

- O que você fazia antes?

A mulher se levantou para olhar de perto o aquário.

- Se lá, o que eu quisesse - disse, batendo no vidro.

- Mas sempre aqui, na minha cabeça?

- Sempre aqui. Onde mais? - Ela pegou um peixe amarelo e o jogou em sua boca. Luís tentou disfarçar o choque - Mas, aparentemente, - ela continuou, mastigando - você prefere apertar um interruptor do que transar com a Mara vestida de Leia, o que eu posso fazer?

Ele ficou sem palavras por um instante, tentando entender o sentido daquilo tudo.

- Você controlava meus sonhos?

- Boa parte sim. A maior parte não.

- A maior parte eu que criava, certo? Meu inconsciente que criava?

- Sei lá - Ela fez uma cara como se nunca tivesse ouvido aquela palavra. - Só sei que você tirou todo mundo da jogada, né?

- E o que aconteceu com ele?

Ela deu de ombros, sinalizando que não sabia.

- E por que foi você que apareceu agora, e não o meu inconsciente?

Ela deixou o aquário de lado e o olhou seriamente.

- Olha, eu não sei responder essas coisas. Essas palavras que você usa… É difícil explicar o que se passa por aqui. - Ela foi até o bonsai, arrancou uma folha em formato de agulha e a cheirou. - Só sei que vi uma brexa e entrei. Fui mais rápida que qualquer outra coisa, acho. Só isso.

A mulher parecia não conseguir focar em algo por muito tempo. Luís apenas a observou, até tomar coragem e perguntar:

- Você pode me fazer sonhar como antigamente?

Ela o olhou surpresa, as grossas sobrancelhas arqueadas.

- Você quer isso?

- Quero.

- Eu… Sim, eu posso. Eu posso! Você só precisa me ajudar.

- Como?

- Senta num canto e fecha os olhos. Vou fazer umas coisas por aqui. Não me atrapalha!

- Tudo bem.

Ele sentou-se no puff e fechou os olhos. Já que teria que esperar, era melhor descansar. Esqueceu o quarto ao seu redor e focou apenas em sua mente.

- Não abre os olhos! - A criatura falou.

Luís a ouvia andando de um lado pro outro, como se estivesse muito ocupada.

- Vou fazer você não perceber que é um sonho. Você gosta de terror?

Ele demorou um instante pra entender a pergunta.

- Prefiro sci-fi e fantasia.

- Mas terror é legal também, né?

- Sim.

O jovem sentia e ouvia coisas aparecendo ao seu redor. Um ar frio chegou até ele, cheirando a umidade. Ouviu passos de outras criaturas. Uma, duas, três. Andavam de quatro, como cachorros.

Ele sabia que não estava imaginando aquilo, estava tendo um sonho de verdade, finalmente. Sentiu uma das criaturas aproximar-se de si.

Luís abriu os olhos. Estava em seu quarto novamente, acordado.

O dia passou devagar. A perspectiva de voltar a sonhar e de ter uma noite inteira de descanso fez com que ele apenas pensasse em dormir. Quando finalmente se deitou, após tomar alguns comprimidos, nem percebeu a transição.


Estava escuro. Ao seu redor coisas que ele não podia ver caminhavam e rastejavam. O chão era frio e lamacento. Ele não sabia onde estava, sabia apenas uma coisa: as criaturas procuravam por ele, e podiam farejar seus pensamentos.

Se escondeu no que parecia ser, pelo tato, uma abertura nas raízes de uma árvore. Sentia pequenas coisas que viviam ali rastejando e subindo em seu corpo. Tentou não pensar em nada enquanto tremia de frio e medo espremido naquele buraco.

Um pensamento fraco acendeu em sua cabeça. Havia algo que ele deveria se lembrar. Algo óbvio que explicaria o que era tudo aquilo, como ele chegara até lá. Por um instante ele deixou aquele pensamento tomar conta de sua cabeça.

Uma das bestas saltou até sua frente, grunhindo. Ele ouviu uma segunda, uma terceira, e muitas outras criaturas se aproximarem. Elas sabiam que ele estava lá.

Antes que pudesse tentar qualquer coisa, dentes afiados espremeram seu braço e o puxaram com uma força descomunal. Luís sentiu diversos focinhos em seu corpo, cada um arrancando um pedaço de carne.

Enquanto sentia seus órgãos sendo arrancados do seu corpo, ele ouvia o rugido dos animais. Misturado com aquele som, ouvia também uma risada grave de mulher.


Luís acordou antes do despertador tocar. Checou no celular: apenas um minuto para o alarme. Desligou-o rapidamente. Adorava quando isso acontecia. Havia dormido tudo o que tinha que dormir e não teve que ouvir nenhum barulho. Riu de felicidade. "O dia começou bem", pensou.

Levantou-se e considerou o que comer. Acabou se decidindo por fazer ovos mexidos com tomate, requeijão e um presunto que ele tinha que usar antes que estragasse. Colocou "Cantina Band" pra tocar enquanto cozinhava, assobiando a melodia apenas de samba-canção.

Estava de bom humor. Por que não estaria? Fazia mais de um mês que ele dormia maravilhosamente bem. Tinha pesadelos todas as noites, mas acordava descansado, ao contrário da época dos sonhos lúcidos. Agora seu cérebro conseguia relaxar durante a noite, ainda mais do que quando meditava dormindo.

O dia se passou sem qualquer acontecimento relevante. Mais uma noite no escuro, desprotegido, ouvindo ruídos terríveis ao seu redor. Outro dia. Outra noite. E outra. E outra. As vezes era atacado durante o sonho. Sentia sua pele sendo rasgada por centenas de dentes e as bestas saltando de todos os lados para provar sua carne. Outras noites apenas se agachava e chorava, tentando entender aonde estava, e o que havia feito para merecer aquilo. Tremia de medo das coisas ao seu redor. Durante os pesadelos tinha a sensação de já ter estado ali outras vezes, de ter sido atacado e comido vivo, mas não entendia porque havia voltado, e se um dia escaparia de vez.

Durante o dia estava feliz. Produzia bastante no trabalho, via seus amigos e sua família. Depois de meses finalmente sentia-se totalmente descansado, mas as vezes, quando estava sozinho em casa ou no banheiro da firma, fechava os olhos e via cenas horríveis. Criaturas com presas gigantes esperando a noite para lhe caçar. Elas estavam lá ainda, escondidas num cantinho da sua mente. Ele se lembrava dos sonhos quando estava acordado, era quando dormia que não se lembrava de onde veio.

Ao deitar tinha receio de dormir. Sabia que os pesadelos estavam fazendo bem para ele, mas o medo era inevitável. Fazia duas semanas que ele tomava remédio para dormir todas as noites, e pegava no sono encolhido, abraçado no travesseiro. “Talvez se eu me esforçar um pouquinho pra sonhar lucidamente, só um pouquinho…”, pensou já grogue, enquanto o quarto desaparecia ao seu redor.

Estava encolhido, escondido dos monstros na escuridão. Tentava não pensar em nada para não os atrair, mas um pensamento rápido invadiu sua cabeça: aquilo poderia ser um pesadelo. Estava tão escuro que não podia ver sua palma da mão. Não havia interruptores por perto. Sabia que se imaginasse algo e aquilo acontecesse provaria que estava em um sonho, mas só de tentar isso já atrairia as bestas. Sentiu uma se aproximar, farejando. Podia ouví-la se movendo no escuro. “Foda-se”. Imaginou o local em que a criatura estava sendo engolido por labaredas.

Acendeu-se uma fogueira imensa e toda a floresta se iluminou de dourado. O monstro uivava. Olhos por todos os lados voltaram-se para Luís enquanto ele se esforçava para manter aquele pensamento e a chama acesa. Colocou fogo em outro. E mais um. Cada labareda criava compridas sombras pela floresta.

Monstros saltaram em sua direção por todos os lados. Ele imaginou-se um mago, criando uma barreira de proteção ao seu redor. Uma esfera invisível lhe protegia dos ataques. Era difícil imaginar tanta coisa ao mesmo tempo e apenas um dos monstros continuou aceso. Estava imóvel. Deitado, queimava como uma pilha de carvão.

- Idiota! - Era a voz da mulher que havia prometido o ajudar.

As criaturas rodeavam a barreira protetora. Luís, com cuidado para não a tirar da cabeça ou a enfraquecer sem querer, conseguiu imaginar outro monstro pegando fogo. Assim que teve certeza que esse havia morrido, colocou fogo em mais um. “Posso passar a noite inteira assim”.

-Idiota! Estou te ajudando!

Luís só percebeu que desviou sua atenção da barreira por um instante quando uma pata gigante bateu em seu corpo, lançado-o ao ar. Chocou-se contra uma árvore a metros de distância e caiu no chão.

Sentia sua roupa rasgada nas costas e o sangue escorrendo por seu corpo. A dor era insuportável. Tentou tirar seu braço esquerdo de baixo de si mas ele não respondia. Rolou para sair de cima do braço e sentiu sua costela, certamente quebrada, cortando sua carne por dentro com cada movimento. “É só um sonho”, pensou levantando-se devagar.

Estava escuro novamente e Luís podia ouvir os monstros correndo em sua direção.

Idiota! - a voz agora vinha de perto do jovem - Você pediu por isso!

Luís correu até ela, imaginando-se segurando a empunhadura de um sabre, e com um estalo metálico um facho de luz saiu do cabo e iluminou o lugar de vermelho. Ele viu a expressão de surpresa no rosto animalesco da mulher quando a partiu em dois.


Acordou. Mas não estava no seu quarto, estava de volta àquele nada dos seus sonhos lúcidos. O nada que não era nem frio nem quente, nem escuro nem claro.

“Estou sonhando ainda. Voltei a sonhar lucidamente”. Ele olhou ao redor, como se procurasse alguém que pudesse ajudá-lo. “Não… não…”.

Acordou de verdade, suado, com o despertador tocando. Levantou-se e se arrumou para o trabalho de forma automática, pensando em como seria sua vida a partir de agora. Matara a única coisa que pôde o ajudar. Voltara a sonhar lucidamente. Saiu de casa em direção ao ponto de ônibus.

Suas pernas estavam bambas. Teria que passar oito horas todos os dias sozinho, sem ter o que fazer, para o resto de sua vida. Não descansaria mais. Enlouqueceria.

Atravessou a rua tão perdido em seus pensamentos que nem viu o que lhe atingiu.


O nada não era nem preto, nem branco. Luís não sabia por que estava sonhando. Ele ouvia vozes que vinham do mundo lá fora. Pessoas que ele não conhecia gritando. Ouviu familiares. Alguns falavam pra ele que tudo ficaria bem. Reconheceu a voz de sua mãe.

Esperou horas fazendo o que costumava fazer quando sonhava lucidamente: meditando, imaginando algo, passando um filme em sua cabeça. Só quando, durante uma conversa da sua mãe com um médico, Luís ouviu a palavra “coma”, que ele entendeu quanto tempo passaria naquela tortura.
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2016.07.18 14:45 999Luzeiro A praia está perdida

publicação original no Medium
Eu sempre subi àquele terraço em dia de festa. A arquitetura brutal, o piso grafite e a irremediável falta de uma paisagem que preste (comum à capital, aliás), jamais foram capazes de reduzir a alegria que sinto ao visitar minha única irmã. Percebo, desta vez, que o luto se expressa pelas varizes nas paredes que rodeiam a escada, no metal frio e azedo do corrimão e, finalmente, na sensação de pisar em um cinzeiro proporcionada pelas placas erodidas do piso. A feiura é oportunista, e no dia de hoje, saiu em carnaval.
Lá estava o meu cunhado, abaixo de uma das pontas do varal, investigando pelos espaços vazios do gradeado uma possibilidade de escorrer pelas paredes externas do prédio de nove andares. “Você comeu, Felipe?”, foi o meu único cumprimento possível, e “Hum, comi” foi a única resposta que lhe pareceu honesta. É claro que comeu — alguma vez na vida — mas duvido que tenha tido estômago para reiterar tão prazeroso e exigente hábito, hoje. Hoje não, pois o meu cunhado, marido da minha única irmã, perdeu o único filho. Meu único sobrinho e afilhado. Minha dor não é pequena, mas no topo do pódio da orfandade inversa, temos a minha irmã, coroada de espinhos e de cama há dois dias. Em seguida, Felipe Remador, estático no terraço em pleno inverno e com o estômago vazio. Talvez eu em esteja em terceiro lugar, junto com a namorada do Léo, não sei. O que sei é trago as notícias, como um relâmpago invisível que transformará os tímpanos do ouvinte em peito.
“Escuta, Felipe.” E descrevo como um apresentador de telejornal excessivamente soturno o desdobrar dos fatos do dia: encontraram o corpo preso ao recife, poucas escoriações, a causa mortis foi mesmo o afogamento, está tudo acertado para o enterro amanhã, no Parque da Colina. Falei com a mãe da namorada, ela não vai, está em choque. Aquele menino, Raul, ainda não voltou a Belo Horizonte. Me ligou do celular do Léo, estava com uma voz tenebrosa. Está tudo pago, não se preocupa. Eu estou muito bem empregado e não é hora de falar disso. E dou sequência, como ventania: “Preciso te contar uma coisa, Lipe, o Léo me ligou no dia anterior ao sumiço, e a conversa estava mais estranha do que de costume…”
“Eu comi, sim. Tem macarrão, se você quiser.” E me corta como se nos falássemos pela internet, com enorme atraso. E começa a me contar do filho: coisas que eu já sei, mas só me resta ouvir mais uma vez.
Leonardo Remador nasceu com o cordão umbilical em volta do pescoço, sem choro e nem desespero. Nasceu sorrindo. O obstetra achou que estava se contorcendo pelo sufoco, mas não: era um sorriso mesmo. “Esse é forte, corajoso” — daí ‘Leonardo’ — disse, para encher o pai de orgulho, enquanto a enfermeira entregava o Príncipe aos braços da mãe. Era um Príncipe, quase enforcado, porém um Príncipe, como são todos os recém-nascidos após a Proclamação da República. Não parava de se mexer e olhar ao redor, como se procurasse por mais um corda para se amarrar, e se apertar.
Começou a andar com oito meses (o que o pediatra considerou um recorde) mas o pai já reparava que muito antes o guri já ensaiava ficar de pé. Era uma brincadeira nervosa: apoiava-se nos joelhos e esticava as pernas trêmulas, e em dois segundos caía. “Toda criança faz isso”, diz o pediatra sem querer estregar o encantamento do recém-pai. “Não”, continua Felipe, “ele não cai e chora. Ele cai a dá a maior gargalhada. E se levanta e se joga de novo. E ri. Se já soubesse falar ia chamar isso de ‘brincadeira da gravidade’, sei lá”. E descreve a forma como o filho olha para baixo ao cair, como se quisesse testemunhar cada segundo do trajeto. “Às vezes o Léo tem um senso de humor maior do que o das outras crianças”, desconversa o jovem doutor, voltando os olhos adestrados ao monitor adestrador do computador.
Aos cinco anos chorava e dava escândalos quando o pai se negava a dar uma volta de motocicleta com ele pelo quarteirão. Quando o seu desejo era atendido aos finais de semana, voltava para casa dócil e calado, prestes a cair no sono e recompensar os pais com o silêncio que o casal tinha antes do Príncipe ter vindo ao mundo.
E ele foi ao mundo: no futebol, só jogava como goleiro pois nas outras posições não podia atirar-se pelos ares e havia menos risco de levar uma bolada na cara. Na natação, perdia as instruções do professor por se interessar mais pela apneia. Se deu melhor nas artes marciais, para o desespero de sua mãe que não suportava ter que aplicar curativos duas vezes por semana. Finalmente, na puberdade, a coragem e o senso de humor exagerado tornaram-se insuportáveis. Gostava de provocar o pai pelo simples prazer de escutar sua voz engrossar e ameaçá-lo. Sentava-se na janela para ouvir música e balançava-se para frente e para trás em um ângulo cada vez menos agudo, cantarolando sossegado até que a mãe o via do corredor e gritava de susto. Só se interessava pelas garotas que já tinham um namorado, e aos treze anos voltou para casa com um olho roxo e os lábios rasgados por roubar um beijo de uma garota mais velha que estava a dois metros do cara mais velho ainda que a namorava. Os pais concordavam que aquilo não era rebeldia pois sempre que aprontava alguma o adolescente passava os próximos dois ou três dias obediente e calmo. Ele tinha ideias que beiravam a burrice e após um longo ano de acidentes e notas baixas, foram atrás de especialistas, pois o primeiro médico que o tocou estava mesmo errado. Leonardo, segundo o psicólogo, era um bom rapaz, mas era melhor ir ver um psiquiatra. O psiquiatra — que por curiosidade saltava de para-quedas nos finais de semana — também não viu nada de errado no garoto, mas por via das dúvidas, recomendou um amigo neurologista. Após mapear o cérebro de Léo, confirmou a boa saúde mental do rapaz, mas seguiu uma pista em sua circulação sanguínea nos exames de rotina que o levava a crer que o nível de adrenalina era muito mais alto do que o normal. Com a ajuda de um endocrinologista constaram que a coragem de Leonardo era na verdade uma doença rara em suas glândulas renais que produziam uma quantidade excessiva daquele hormônio, viciando das íris aos pulmões, passando pelo coração e todos os músculos. O pai teve que vender a moto e um carro, mas pagaram o tratamento e aos dezesseis Léo já não andava mais com sua bicicleta sem freios pelo bairro. Apesar de não ser dos mais espertos ou um dos mais bonitos, tinha um talento único com as mulheres, já que a possibilidade de rejeição o atraia, coisa que não existia em homem algum. Aos dezenove, arrumou uma namorada sem namorado, Júlia, e achava o máximo quando a menstruação dela atrasava alguns dias, e é claro que não era nem um pouco favorável ao uso de preservativos. Dizia apenas que era uma pessoa simples e que gostava das diversões curtas pois a vida, em si, era mesmo curta. Raul, um dos seus amigos mais antigos, ria e dizia que o problema é que os momentos simples de Léo poderiam encurtar a vida mais ainda. Era grato ao parceiro, pois mesmo sem se interessar por um baseado, Léo era o único disposto a entrar com ele nas favelas para comprar aquele mato amassado.
Apreensivos, os pais viram o garoto tirar a carteira de motorista. Nenhum problema, a não ser as multas por excesso de velocidade que eram pagas pelo próprio rapaz, que se virava na papelaria do pai do Raul. As pessoas que conviviam com ele acabaram se acostumando e até mesmo os pais deixaram de se preocupar tanto e esqueceram que “o jeito dele” era um problema sério. Júlia, segundo um psicanalista freud- ou junguiano (precisamos diferenciar charlatões?), no fundo morria de tesão por caras irresponsáveis, Raul (nas palavras de uma pedagoga do Ensino Médio) também não era exemplo de comportamento e assim Leonardo tocou sua vida abusando da sorte.
Acontece que, mineiro que era, Léo poucas vezes foi ver o mar, e só o fez ao lado dos pais, que não gostavam muito de areia. Aos vinte e um foi ao litoral capixaba com Júlia, amigos dela e o tal do Raul. Uns dois ou três dias antes da data da volta para casa, Léo me ligou. Ouvi o pequeno trip journal que, não sei porque, decidiu me contar ao custo de todos os créditos do seu pré-pago. Começa bobo e vai escurecendo, como a apresentação de um palhaço trágico, e eu me arrependo de não ter anotado algumas partes, ou gravado a conversa toda.
Em janeiro, o sol derramava-se do alto e refletia na areia e no mar, queimando sua pele branca e agredindo seus olhos não muito escuros. Gostou daquilo, mas logo à frente estava algo que o seduzia muito mais, o próprio mar. Não entendia como tantas pessoas aguentavam ficar o dia inteiro sentadas em cadeiras de plástico bebendo e comendo ao redor dos quiosques sem nem se aproximar das ondas. Logo no primeiro dia, subiu com Raul em um morro baixo com os pés descalços e sentaram-se em rochas negras que um dia formaram um coral. Enquanto o amigo apertava um, viu uma mulher alta e bronzeada, de cabelos morenos e músculos bem definidos mergulhar nas águas e nadar por quatro minutos, sem parar, traçando uma linha quase reta. Ao distanciar-se da praia, as ondas tornaram-se maiores e algumas pessoas já acenavam para que ela voltasse. Desapareceu atrás das ondas por alguns segundos, e, depois, sorrindo, nadou de volta como se estivesse em uma piscina rasa. Gostou daquilo.
Nadou com Júlia um bom tempo pela tarde, sem se arriscar de mais. Toda vez que olhava para a linha do horizonte, se distraía a ponto de deixar de escutar o que a namorada falava. Lembrou-se de como aquela morena conseguiu ir tão longe com tanta calma. Gostou daquilo, mas gostou de mais. À noite, após uma bebedeira na casa dos pais de um dos amigos de Júlia, Léo teve sonhos agitados. Quando acordou, lembrou-se de três: primeiro, mordia o cano de uma arma de fogo que um homem encapuzado que apontava para sua cabeça, rindo da falta de coragem do assaltante em disparar. Em outra situação apontava para a namorada que trocava de roupa, mostrando para Raul. Por fim, sonhou que nadava no fundo de um lago e respirava normalmente embaixo d’água, sem precisar voltar à superfície.
Saiu sozinho para comprar pão e o que mais precisassem. Como em qualquer cidadezinha do litoral do Espírito Santo, encontraria uns cinco botecos para cada padaria ou mercearia — se a mercearia vender cerveja, não sei dizer como ficaria a conta, mas enfim, por uma questão estatística decidiu tomar uma antes de cumprir a sua missão de levar comida à namorada e aos amigos.
Ao final da primeira garrafa daquela cerveja fraca mas bravamente gelada, Léo olha em volta e percebe a presença da nadadora alta e morena. Não a tinha visto ali, sozinha na outra ponta do balcão, que era em éle e permitia tal ponto cego. A moça olhava para ele e achava graça da miserável atitude do menino de quase torcer a garrafa que já havia acabado. Ofereceu a sua, cheia, e lá vai Léo conversar fiado com uma mulher linda e aparentemente solteira ao invés de levar pão para a namorada. “Ela achou o meu sobrenome o máximo, tio. Disse que eu devia nadar muito bem, porque, ‘Remador’, né. Mas já devia estar bêbada. Achava graça de tudo. Meio doidinha, acho que não estava me dando mole, só tentando escapar de um cara lá que não parava de mexer com ela. Mas eu não vi o cara. Eu estava tranquilo também, cê sabe que eu gosto muito da Júlia. Mas então, cê lembra daquela menina que nadava comigo na equipe da escola? Você já deu carona pra ela. É a cara, tio. Eu pensei que fosse ela.” Tirei o celular do ouvido para ver o tempo da conversa no display. 52 minutos. E o menino não parava de falar. “Vai comprar o pão, ô sem vergonha.” E ele me obedeceu e desligou.
Olha, apesar dos quarenta e poucos, eu sou um homem bonito. Na verdade, eu sempre fui. E mesmo assim, uma morena dessas nunca me abordou em boteco copo sujo de praia. Só uns tios e uns hippies para me pedirem o isqueiro. E eu adoro morenas, Léo.
Léo.
O que aconteceu com você? O Raul me contou de uma briga com um rapazinho local — aliás, eu preciso achar o Raul — e agora as hipóteses florescem na minha imaginação, que não tem sono desde o contato da polícia.
Passaram os próximos dias longe da praia, fazendo trilhas e visitando os arraiais à procura de festa. Com Júlia sentada em seu colo (eu só via vocês nessa posição, encaixavam bem, até), estava em um boteco ao lado da praça da igreja de uma vila. Bebiam cerveja e viravam doses de cachaça da pior qualidade enquanto um forró soava indecifrável abafado pela voz de umas dezenas de pessoas que ocupavam as calçadas. Foi surpreendido por um grito de Raul que levantava a voz para um adolescente, prestes a agredi-lo. Pediu para Júlia levantar-se, a garota não atendeu imediatamente e quase foi derrubada no chão por um homem de sorriso estranho que até o minuto anterior era o namorado que com carinho passava as mãos quentes em suas pernas. A coragem imbecil que custou um carro e uma moto ao pai de Leonardo agarrava o adolescente pela nuca e bateu o rosto do rapaz com força em um banco de madeira e ferro da praça. Enquanto o sangue corria, alguém acertou uma cadeira nas costas de Léo, enquanto três ou quatro homens mais velhos corriam atrás dele, que escapava. Sumiu no mato, rasgou a perna esquerda nos galhos (uma das escoriações não era de coral, mas aparentemente de vegetação rasteira) e encontrou uma estrada de terra que seguiu por mais de uma hora caminhando devagar, sentindo seu corpo em chamas por conta do coração que parecia ter dobrado de tamanho.
Não sabia o motivo da briga de Raul e nem se importava. Também não se importava da grosseria com a namorada e nem com o fato de que provavelmente alguns homens o perseguiam em uma caminhonete, moto ou jipe com pedaços de pau ou uma pistola semi-automática embaixo do banco. Exausto, alcançou a praia. Sentou-se na areia e viu o sol nascer, vermelho como se estivesse se pondo. Realmente, o sol se punha para você, meu afilhado. Viu uma pessoa caminhar onde as ondas quebravam, chegou mais perto e reconheceu a mesma mulher de cabelos negros que viu no primeiro dia no litoral. A do bar (que… coisa é você, mulher? Shinigami?). Ela ignorou sua presença e mergulhou, nadando mais uma vez em ritmo forte e veloz, até desaparecer na espuma de uma grande onda que quebrou prematuramente. Mergulhou também. Seu corpo em chamas mal percebeu como a água estava gelada. Nadou em compasso olímpico esticando todos os seus músculos, estirando seus pulmões, sugando todo o ar salgado que havia em quilômetros cúbicos. Sem parar as braçadas, abriu os olhos e viu que a mulher nadava ao seu lado, fechou os olhos que ardiam com o sal e quando abriu de novo, ela já não estava mais lá. Quando finalmente parou, viu que ela voltava, derrotada e humilhada pelo novo recordista daquela praia.
Enquanto a água esfriava, olhou para o céu e ficou finalmente satisfeito de uma forma irracional, a única forma que sentia-se satisfeito na vida. Todo o seu corpo vibrava, o prazer era tão grande que balançava os pés sem cansar pra manter-se na superfície sem se cansar. Quando o corpo doeu pelo frio que fazia, decidiu voltar, mas quando olhou para a praia, ela estava distante e uma névoa baixa ia convertendo-a em um ponto invisível naquela imensa massa azul. O corpo esfriou, os pés pararam de se mover, os braços penderam-se ao lado do quadril. Quanto maior o músculo, mais forte a dor da cãibra, e as panturrilhas de Léo pareciam dois mamões. Afundou em silêncio, e sonhou de novo. Sonhou que nadava em um lago escuro e podia respirar embaixo d’água. Sonhou que estava na praia e nadava em direção ao horizonte. Quando quis voltar, a praia estava perdida.
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